quarta-feira, 14 de março de 2012

O que eu fiz para me ajudar na fase de Adaptação

Postado e Escrito por Renata Palombo
Fonte: Google Imagens

Há dois dias escrevi sobre a minha experiência com a "Chegada do Filho e a fase de Adaptação" e prometi que hoje publicaria sobre as coisas que eu fiz que me ajudaram a passar por essa fase tão difícil, então segue algumas delas:

1) Psicoterapia. Eu já estava em psicoterapia quando meu filho chegou, mas a partir dele iniciei um processo mais intensivo. Me ajudou a elaborar o luto pelas perdas e a integrar melhor a MÃE REAL. Ainda me ajuda. Meu marido foi comigo algumas vezes, o que também foi importante para mim e para ele enquanto pai. Infelizmente em situações como esta vemos pessoas depositando nos outros a responsabilidade pelas dificuldades e não conseguem perceber que se olhassem para dentro de si conseguiriam resolver muitos problemas. Acho que a psicoterapia teve essa função na minha vida, me ajudar a olhar para dentro de mim e ver que muitas das dificuldades que eu vivi nessa fase tinham a ver com a minha história de vida, limitações e constituição psíquica.

2) Grupo de Adoção Tardia. Uma colega de trabalho me apresentou para este grupo que participo até hoje. Ele foi essencial para minha família nessa fase da adaptação, pelo apoio das outras mães, o compartilhar das experiências e as orientações sobre os processos psíquicos na adoção tardia, que fizeram toda a diferença na forma de enxergarmos o que acontecia.

3) Ler. Ler sobre o assunto foi muito importante pra mim. Lembro que na época recebi um texto chamado "Depressão pós adoção: um problema pouco conhecido" que me ajudou a perceber que o que eu estava vivendo era algo mais comum do que eu imaginava, aliviando a culpa e me dando recursos para lidar com a realidade. Muitas mães biológicas também entram em processos depressivos após o puerpério, talvez ler sobre o assunto ajude a entender e organizar melhor as ideias.

4) Conversar com outras mães e pais. Todas as vezes que eu e meu marido conversávamos com outras mães e pais a respeito das dificuldades que estávamos enfrentando, nos sentíamos confortados, pois percebíamos que o que estávamos vivendo era muito parecido com a realidade de todas as outras famílias. Independente dos filhos serem adotados ou biológicos, grandes ou pequenos parecia que tudo se repetia em todos os lares. Isso era muito importante pra nós. Acho que é até hoje.

5) Parceria com Marido. Não posso deixar de citar o quanto a parceria do meu marido e a sua aceitação "incondicional" a tudo o que eu fiz e senti foi importante para eu superar essa fase. Mas não se pode ignorar que os homens também ficam muito perdidos com todas as mudanças e assim como a gente também sentem um turbilhão de emoções boas e ruins. Eles têm muito mais dificuldade de lidar com sentimentos do que nós, mulheres. Muitas vezes precisamos ter paciência com eles e compreendermos que eles também precisam de ajuda e colo.

6) Escola Cristã de Férias. Na comunidade religiosa que eu frequento costuma-se fazer a escola cristão de férias (uma atividade de aproximadamente 2 horas diárias para as crianças frequentarem durante uma semana no período de férias). Poder delegar os cuidados dele a alguém por duas horinhas por dia e ficar sozinha me ajudava muito a reorganizar as ideias, me acalmar e sentir saudades dele. Geralmente quem tem um bebê conta com a ajuda de alguém, muitas vezes a avó, que fica com o recém-nascido para que a mãe possa dormir, tomar banho, recarregar as energias, sentir saudades. Infelizmente eu não tive isso, pois as pessoas acreditam que quem adota não precisa. Felizmente nesta fase tivemos essa escola cristã de férias que substituiu "bem" um ajudador mais presente e constante. 

7) Trazer um amiguinho para ficar em casaEnquanto eu vivia tudo isso uma amiga me pediu para que eu ficasse dois dias com o filho dela em casa. Num primeiro momento me pareceu bastante insano, mas isso foi algo que acabou me ajudando muito. Me ajudou primeiro porque tinha alguém para dividir comigo a atenção do meu filho que estava me consumindo 24 horas e em segundo porque o "amiguinho" fez um monte de coisas que me ajudaram a perceber que crianças faziam aquilo e que com meu filho não seria diferente. Acho que comecei aí a internalizar o FILHO REAL.

8) Orar. Entregar as coisas nas mãos de Deus é algo que sempre ajuda. Orei muito nessa fase. Orava todas as noites com ele (o que eu faço até hoje), mas depois que ele dormia eu voltava no quarto dele, me ajoelhava perto de sua cama, colocava minha mão sobre sua cabeça e intercedia por ele. Pedia muito mais por mim. Pedia sabedoria, que Deus me ensinasse a ser mãe, colocasse amor em nossos corações, me ajudasse aceitá-lo como era, me auxiliasse nas transposições das dificuldades. Hoje (infelizmente) não faço isso todas as noites, mas sempre que aparece algum problema no comportamento dele ou alguma dificuldade na nossa relação tento resgatar esse hábito e garanto que sempre funcionou. Nem sempre o problema é solucionado de um dia para o outro, mas o conforto no coração dado por Deus já ajuda a lidarmos com a situação de uma outra forma.

Como eu disse no outro post, hoje ainda não é nada PERFEITO e nem harmonioso como eu sonhava, mas hoje é bem REAL!

Muitas dificuldades ainda virão! Sei que nem sempre sou a mãe maravilhosa que eu sonhava ser e que ele também não é o filho maravilhoso que eu sonhava ter... mas acho que somos MARAVILHOSOS porque dia-a-dia estamos construindo nossa história de amor, descobrindo juntos a maternagem e a filiação.

Conte para nós o que mais te ajudou no seu período de adaptação.

6 comentários:

Syl - Minha Casinha Feliz disse...

Amiga, estou passando os olhos correndo no post pq estou na correria mas adorei sua abordagem e estou linkando pra uma amiga que acabou de adotar um lindo menino de 1ano e 7meses.

Beijos e parabéns pela iniciativa
Syl
http://minhacasinhafeliz.blogspot.com/

Izabel e Luciana disse...

Que lindo seu texto, me emocionei ao ver como vc tranpos suas dificuldades e que a maternidade foi fruto de muito trabalho. Parabéns.

Izabel e Luciana disse...

Adorei ler seu texto e ver como vc superou esta fase de adaptação, a maternidade algumas vezes é fruto de muito trabalho. Beijos. Izabel

Juliana disse...

Grande verdade isso q escreveu. Se filhos adotados, se gerados, se bebes, se mais velhos, nao importa... passamos por dificuldades iguais, e as suas dicas cabem a todas as circustancias. Mto bom...

Casa e Fogão disse...

É muito bom as mães procurarem ajuda mesmo, caso elas estejam com dificuldades de adaptação.
Tenho quase onze anos de casada e não tenho filhos (a não ser os meus de quatro patas)
Se um dia chegar, acho que também vou ter algumas dificuldades.

Abraço

Silmara

katia disse...

Gostei do texto Re ! Logico que chorei pra variar... especialmente na parte da oracao! Acho isto fundamental e indispensável pra qq mãe !
Estou visitando um orfanato o que só aflorou minha vontade de adotar ! especialmente uma menina de 15 anos ! Mas estou lutando para ser mais racional que emocional, afinal tenho 3 pequenos que ainda precisam de mim...

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...