segunda-feira, 8 de outubro de 2012

A minha família é tão diferente da sua?

Postado por Renata Palombo
Escrito por Marina Menk


Como não é novidade pra ninguém, meu blog fala sobre maternagem. Por isso, tudo o que é publicado aqui vem do olhar, da perspectiva da MÃE. No entanto eu sempre tive um desejo muito grande no meu coração de que algum filho escrevesse pra gente falando sobre a perspectiva de ser filho. Cheguei a convidar algumas pessoas, e hoje estou tendo o prazer de publicar o primeiro texto com a perspectiva do FILHO, ou melhor da FILHA, uma FILHA POR ADOÇÃO. Podia ser melhor??? Leia o post da nossa querida Marina Menk e depois me responda: "A família dela é tão diferente da sua?"

"Oi Pessoal, meu nome é Marina Menk, tenho 19 anos e curso Publicidade e Propaganda. Fui convidada pelo Blog Descobrindo a Maternagem, para escrever sobre ADOÇÃO.

Creio que fui escolhida, pois sou filha por adoção e não tenho problema algum em falar sobre o assunto. Até porque, para mim, é um assunto normal. Mas sei que existem pessoas que ainda não acham normal e espero que minha contribuição ajude essas a quebrarem suas barreiras.

Primeiro quero partilhar o que penso sobre Adoção. Para mim é uma outra forma de gerar, dando oportunidade a quem quer ser filho ou filha, dando a oportunidade de um lar, uma família para amar, educar e que dê suporte no decorrer da vida.

Para adotar é preciso gerar dentro de si a mesma vontade de uma fecundação e a gestação de um novo ser. A decisão da família e a adaptação são essenciais para que a criança nasça para todos de forma tranquila e seja bem-vinda.

Adoção impede que crianças e adolescentes permaneçam em abrigos por tantos anos, sem ter a chanca de ter uma família e o convívio dos parentes. Sem dúvida, o papel de mãe, pai e irmãos são muito importantes na vida de qualquer pessoa.

Muitos já antecipam que filho adotado vai dar trabalho, honestamente isso pra mim é uma grande piada. Tornaria-se sério, se o pensamento alheio fosse: filho vai dar trabalho. Aí sim, concordo... Não precisa separar filho e filho adotado. Filho é filho. Até porque a dica que tenho pra amenizar o problema com os filhos serve sem fazer distinção. É com amor e a não diferença, pois justamente esses dois sentimentos, que dão a certeza de que aquela criança precisa de você.

Meus pais sempre deixaram claro o significado de "ADOÇÃO", nunca esconderam, sempre soube que fui adotada. Não me lembro exatamente o dia em que me contaram. Foi um processo natural. Acompanharam o meu cresciemento, sempre explicando quando eu perguntava e tentando da melhor forma fazer com que eu entendesse sobre isso e olhasse por um único lado, o amor. E isso dá muito certo, eles foram muito verdadeiros comigo. Contaram-me a verdade simplesmente para eu não perder nenhum detalhe da minha história, para termos os nossos registros, e não para me separar da história dos meus irmãos.

Quanto a discriminação da sociedade, paciência. Todos tem suas limitações. No meu caso que sou negra e fui adotada por uma família com descendência italiana e alemã foi bem complicado, porque as pessoas dizem na maior cara de pau "mas vocês são tão diferentes!!!". Minha família sempre tratou com tanta naturalidade que inclusive rimos quando lembramos dessas situações. Porque o que é ser diferente?

Ser adotado não é uma coisa de outro mundo, não te faz uma pessoa melhor e nem pior. Com toda certeza uma família que adota também vive sabores e dissabores. Troca-se muito amor, confiança e amizade. E isso dá força para os dias difícieis.

Sou uma pessoa de sorte por ter a família que tenho. Os amigos e todaas a pessoas maravilhosas que estão ao meu redor. Não sei o que seria de mim sem a minha família, eles são as melhores pessoas que Deus colocou na minha vida. Por mais que a gente brigue ou discuta. Tenho certeza do nosso amor. Foi um amor conquistado no encontro entre mãe, pai e a filha do coração.

O clichê é que pai e mãe são quem cria, mas para mim, pai e mãe são quem ama. E isso serve para todas as pessoas dentro de uma FAMÍLIA.

E então, a minha família é tão diferente da sua????

10 comentários:

Juliana Palombo disse...

não... a minha família eh igual a sua... lindo texto. parabens

Turquezza disse...

Que linda sua definição! É isso mesmo. Ninguém é diferente de ninguém. Amor é repartido entre todos da família, seja ela como for. Parabéns!
Beijos.

Cláudio Alves disse...

belo texto, não consigo pensar em definições sobre a relação de pais e filhos adotados. Creio que cada família encontrará a sua, mas me dá esperança a existência de boas famílias que adotam. Precisamos cuidar de nossas crianças... e me dá esperança poder conhecer histórias como essa.

Cláudio Alves disse...

Bela história... não consigo defini-la, penso que cada família define suas relações entre pais e filhos. Mas me dá esperança ler histórias como essas... E penso que precisamos cuidar melhor de nossas crianças, elas são o futuro da humanidade.

António Jesus Batalha disse...

Estou a visitar alguns blogs, e tive o privilégio de encontrar o seu, vi na pagina inicial o que escreveu, e como gostei folheei mais algumas páginas e fiquei maravilhado pelo que vi e li.
Dou-lhe os parabéns, mas queria deixar um apelo continue assim dando sempre o melhor, boas mensagens, bons temas. Gosto de escrever, mas também gosto de ler bons temas, por isso é que parei aqui.
Meu nome é: António Batalha.
Sou um servo de Deus,e deixo aqui a minha bênção,que haja paz,amor na sua vida, muita saúde e felicidade.
PS. Se desejar seguir o meu humilde blog, Peregrino E Servo, fique á vontade, eu vou retribuir, se encontrar seu blog.

Karin Solange Pahl Schmidlin disse...

Eu brinco que tenho filhos por parto natural, cesariana e adoção... assim ficam todos iguai´s. Complemento que um nasceu com 3,950kg, outro com 3.990kg, outro com 4.200g e outra com 33kg. Isso pq o nascimento dela aconteceu quando ela já tinha 10 anos de história nesse mundo.
Nossa história é linda igual a de sua familia e muito me orgulha ver pessoas que superam essa ignorância do mundo para dar e receber amor. Uma vez me disseram que minha filha por adoção tinha sorte em nos ter, mas eu digo que sorte a minha poder amar e compartilhar o meu melhor com uma pessoa que me deu muito mais do que eu esperava ao querer ser mãe. Que Deus os abençoe sempre e que nossas histórias mudem esse preconceito de que filha adotivo é problema e que mude a vida de tantas crianças e adolescentes que buscam apenas esse amor incondicional.
Abraço

Anônimo disse...

Tenho uma princesa por adoção... quando chegou já tinha 10 anos de história nesse mundo. Além dela tenho mais 3 e este gerados por mim, mas ambos gerador primeiro em meu coração.
Filho adotivo da trabalho mesmo... aquele de abraçar, beijar, se orgulhar e tenho medo de desidratar de tanto babar nela e nas suas conquistas, hehe.
Gente, filho é filho, igual, emocional e precisa de limite, não de piedade... alias a pena é inimiga do amor.
Meus 4 filhotes vieram pra mim por parto natural, cesária e adoção e é isso que difere.
Linda história, amei ler e me identificar.
Abraço

Cacau Waller disse...

Marina, que orgulho pros seus pais, que orgulho pra vc, que orgulho pra sociedade ter gente como vc, de bem com a vida, segura do que é, do que tem! E como vc escreve bem. Parabens. E parabens pela querida Renata por publicar esse relato tão verdadeiro e apaixonante.
Bjs
Cacau

Claudia Gimenes disse...

Marina, confesso que para mim como mãe dá um certo conforto ler a visão de um filho adotivo.
Suas colocações vêm de encontro a tudo que eu creio e em que baseio a criação e a formação dos meus filhos.
Parabéns pela filha e pela pessoa que vc é e parabéns pelo lindo texto!

bjs,

Cláudia

Denise Menck disse...

A Marina foi muito mais do que uma adoção, ela veio para nos ensinar um jeito diferente de amar, de aceitar as diferenças. Este final de semana o nosso pai disse "Se a Marina e o Lucas (nosso irmão mais velho) fossem do mesmo sangue, não seriam tão iguais!". Isso prova o quanto podemos nos conectar a através do amor.

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