domingo, 4 de dezembro de 2011

Crianças negras são recusadas por famílias candidatas à adoção

Postado por Renata Palombo

Fonte: Google Imagens

Eu nem me lembro onde tive acesso a esta reportagem, sei que achei ela muito interessante e resolvi publicar aqui no meu blog, muitas pessoas tem se interessado por esta postagem. Não deixe de ler:

Três anos após a criação do Cadastro Nacional de Adoção, as crianças negras ainda são preteridas por famílias que desejam adotar um filho.

A adoção inter-racial continua sendo um tabu: das 26 mil famílias que aguardam na fila da adoção, mais de um terço aceita apenas crianças brancas. Enquanto isso, as crianças negras (pretas e pardas) são mais da metade das que estão aptas para serem adotadas e aguardam por uma família. Apesar das campanhas promovidas por entidades e governos sobre a necessidade de se ampliar o perfil da criança procurada, o supervisor da 1ª Vara da Infância e Juventude do Distrito Federal, Walter Gomes, diz que houve pouco avanço.
"O que verificamos no dia a dia é que as famílias continuam apresentando enorme resistência [à adoção de crianças negras]. A questão da cor ainda continua sendo um obstáculo de difícil desconstrução."

Hoje no Distrito Federal há 51 crianças negras habilitadas para adoção, todas com mais de 5 anos. Entre as 410 famílias que aguardam na fila, apenas 17 admitem uma criança com esse perfil. Permanece o padrão que busca recém-nascidos de cor branca e sem irmãos. Segundo Gomes, o principal argumento das famílias para rejeitar a adoção de negros é a possibilidade de que eles venham a sofrer preconceito pela diferença da cor da pele. "Mas esse argumento é de natureza projetiva, ou seja, são famílias que já carregam o preconceito, e esse é um argumento que não se mantém diante de uma análise bem objetiva", defende Gomes.

O tempo de espera na fila da adoção por uma criança com o perfil "clássico" é em média de oito anos. Se os pretendentes aceitaram crianças negras, com irmãos e mais velhas, o prazo pode cair para três meses, informa.

Há cinco anos, a advogada Mirian Andrade Veloso, 38, se tornou mãe de Camille, uma menina negra que hoje está com 7 anos. Mirian, que tem cabelos loiros e olhos claros, conta que na rotina das duas a cor da pele é apenas um "detalhe". Lembra-se apenas de um episódio em que a menina foi questionada por uma pessoa se era mesmo filha de Mirian, em função da diferença física entre as duas. "Isso [o medo do preconceito] é um problema de quem ainda não adotou e tem essa visão. Não existe problema real nessa questão, o problema está no pré-conceito daquela situação que a gente não viveu. Essas experiências podem existir, mas são muito pouco perto do bônus", afirma a advogada.

Hoje, Mirian e o marido têm a guarda de outra menina de 13 anos, irmã de Camille, e desistiram da ideia de terem filhos biológicos. "É uma pena as pessoas colocarem restrições para adotar uma criança porque quem fica esperando para escolher está perdendo, deixando de ser feliz."

Para Walter Gomes, é necessário um trabalho de sensibilização das famílias para que aumente o número de adoções inter-raciais. "O racismo, no nosso dia a dia, é verificado nos comportamentos, nas atitudes. No contexto da adoção não tem como você lutar para que esse preconceito seja dissolvido, se não for por meio da afirmatividade afetiva. No universo do amor, não existe diferença, não existe cor. O amor, quando existe de verdade nas relações, acaba por erradicar tudo que é contrário à cidadania", disse.

8 comentários:

Célia disse...

Penso que "pré-conceito" é o julgamento que fazemos sobre nós mesmos, e passamos para os outros em forma de atitudes.Aqueles que se dispõe a adotar, deveriam pensar com o coração...

Renata Palombo disse...

Célia, aqueles que decidem ser pais e mães deveriam pensar com o coração. Hj meu filho me perguntou pq eu o escolhi. Será q escolhemos filhos??? Vc escolheu os seus?? Infelizmente quem adota acha q pode fazer isso. Eu nao escolhi meus filhos!!! Deus escolheu eles pra mim.

Valéria disse...

Quando se abre o coração para a adoção vc já mostra sua disposição a abrir mão do pré conceito. Porém, todo ser humano tem sonhos... é preciso amadurecer a idéia de que filho não se escolhe... mas é necessário respeitar os sonhos de cada individuo. De que adianta, a pessoa ir até o fórum, deixar seu perfil aberto e sem restrições se sua estrutura psicologica não aceita uma criança acima de 5 anos? Eu acredito no amadurecimento de idéias, nos debates para acabar com a ignorancia e na busca por esclarecimento sobre a adoção e doação. sim, porque ter filhos é doar-se independente de serem biologicos ou adotivos. Adotar é doar-se por inteiro... e a pessoa só o fará se estiver nessa relação de corpo e alma... com o coração e a mente abertos. Dessa forma, o pré conceito estará sendo combatido da maneira mais linda do mundo: com amor. bjs

Renata Palombo disse...

Eu concordo plenamente com você Valéria! A pessoa precisa amadurecer a filiação por adoção sim... Não sei nem se a palavra seria sonho, pois nossos filhos (biológicos ou nao) nao vem para realizar nossos sonhos, mas eu usaria a palavra limites. A pessoa precisa respeitar seu limite emocional sobre o q será capaz de lidar após a adoção. Qdo eu fui ao fórum preencher o perfil, me senti escolhendo uma mercadoria e precisei amadurecer muitas coisas para ter a família q tenho hj, q acabou sendo muito diferente do que eu sonhei. Falo um pouco sobre isso no post http://descobrindoamaternagem.blogspot.com/2011/11/nas-entrelinhas.html

Larissa, Beatriz e Victor disse...

Eu tenho um pretinho em casa, e não vivo sem ele.. é o amor da minha vida!

Renata Palombo disse...

Que delicia Larissa!!! Obrigada por compartilhar esse amor com a gente!

Isis Alves disse...

Essa reportagem vem mostrar o quanto o preconceito ainda permanece forte. O quanto se precisa de ações afirmativas para tratar uma sociedade (gostaria de poder citar que é pequena parte, mas não é o que hoje vejo) com uma doença que impede se humanizar, de enxergar, sentir, tocar, conversar, com o coração. Buscar conhecimento também ajuda no tratamento, pois eu estou buscando na faculdade, algo que não tive na minha escolaridade de primeiro e segundo grau, e estou encontrando e vejo o quanto é urgente expor isto. Pessoal há atualmente vários livros infantis com personagens negros, é imprescindível as escolas do Brasil adotarem materiais didáticos e pesquisas sobre grandes figuras da África, do Brasil, em Cuba, que lutaram por libertação para mostrar que os negros e índios são povos que também são independentes, capazes de gerar seu sustento, ampliar seus conhecimentos, são inteligentes, são exemplos ao mundo.

itamar frança disse...

Nossa gestação do coração não tem cor nem raça, existe um Deus que nos concebe e estamos gestando e ansiosos.

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