quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Adoção e Gravidez

Postado por Renata Palombo
Escrito por Dea Gil
Fonte: Google Imagens

Dea é uma pessoa muito querida. Participa do mesmo grupo de adoção tardia que eu e muitas vezes me ajudou com seus relatos. Quando li este texto que ela escreveu senti um desejo enorme de publica-lo no meu blog porque fala muito claramente sobre a gravidez biológica e a emocional, marcando que nenhuma é melhor que a outra. Dea prontamente me autorizou a publicá-lo e aí está ele. Faça bom proveito!!!


"Desde muito cedo quis ser mãe e até gravidez psicológica, de ficar 4 meses sem menstruar e com o ventre um pouco crescido tive.

Casei cedo, aos 22 anos e um ano depois já estava tentando engravidar. Só que não acontecia. Fiz vários exames e comigo estava tudo em ordem para que a gravidez acontecesse.

Já no meu marido, apareceram algumas complicações e ele até submeteu-se a uma cirurgia para correção do problema (velocidade dos espermatozóides).

Mesmo assim o tempo foi passando e a gravidez não acontecia. Só que não era uma obsessão e fomos levando nossa vidinha de casados muito bem.

Desde mocinha eu pensava em adotar, achava que já tinha tanta criança precisando de um lar, então pra que colocar mais uma no mundo?! Só que esse não era o pensamento do meu Guga que queria muito um filho biológico.

Lembro que antes de saberem que o problema por eu não engravidar era do Guga, a família dele me cobrava absurdos pela gravidez! Era como se fosse um fluxograma: Casou, tem que ter um filho biológico! Um dia não aguentei e mandei eles perguntarem ao Guga pq eu não engravidava. Silenciaram e me deixaram em paz!!! ufaaaa!!!

Guga tentou tratamento com hormônios que o fizeram passar super mal e foi aí que conversamos mais seriamente a respeito da adoção e ele concordou. Tínhamos 12 anos de casados.

Nos habilitamos, cheios de paradigmas e preconceitos...graças a Deus chegou meu Henrique, que de fato era o oposto da criança que descrevemos desejar no processo de adoção inicial. Mas chegou arrasando: Nos fez Pai e Mãe e o melhor: Nos fez ver a vida como ela é e saber que pode ser melhor e nos fez quebrar as fronteiras do nosso mundinho.

Henrique, meu filho mais velho, não foi bem aceito pela família e teve até aqueles que nos mostraram os pulsos e disseram que se o sangue deles não corressem na criança, eles não a considerariam como família. Houve os que nos mandaram devolvê-lo...e absurdos assim. Afiamos unhas e dentes e deixamos claro que ele era nosso filho e ponto final e aqueles que quisessem continuar a conviver com agente teriam que respeitar nosso Henrique.

1 ano e 6 meses se passaram...Henrique já consquitara seu terreno e os que não o aceitaram, era pq de fato não nutriam por nós grande afeto, assim se afastaram. Graças a Deus...hoje enxergo que eles eram um grande estorvo!!!

Comecei a ter sonos incríveis e super fora de hora...era um abrir de boca maleducado e eu não me segurava em pé! A menstruação atrasou e comecei a ficar enjoada...veio a suspeita da gravidez!

FIQUEI APAVORADA! tomava remédios pesados para o controle da Esclerose Múltipla, doença da qual sou portadora e recentemente tinha feito pulso de corticóides!

O exame deu positivo! Lembro que chorei que só, por não desejar mais ficar grávida, tinha muito medo, eu já tinha 35 anos. Por estar passando por um momento difícil na nossa vida e por achar que já tinha meu filho e se quisesse outro era para ser adotado também!

Fizemos a primeira ultra-som e o coração pulsando a mil por hora nos fez emocionar: Eu e Guga a chorar e Henrique a sorrir imitando o som do coraçãozinho do irmão!

Sim, teve os que assim que souberam da minha gravidez foram logo indagando: E agora vão devolver o menino que vcs "criam"? E o pior é que não foi só um ou dois que chegou a fazer essa pergunta absurda!

Outros comentavam: "agora vc será mãe de verdade"! ou "agora vcs vão ver o que é de verdade ter um filho"!

Por vezes eu respondia alguma coisa bem grosseira e por outras vezes era bem escandalosa e me colocava a gargalhar na frente da pessoa, que ficava com cara de tacho!!! Por vezes, tava tão cansada com aquilo tudo que nem respondia nada!!!! Ignorava!

Bom, comecei a ter enjôos absurdos, vomitava mesmo em jejum, o suco gástrico e só faltava me acabar com aquilo! enjoei o cheiro de tudo...até a música de um desenho animado que Henrique gostava de assistir até hoje não aguento escutar!


Eu não conseguia mais dormir na posição que estava acostumada...a região da bacia doia demais e me disseram que era justamente a mesma se dilatando para segurar o bebê e dar passagem ao mesmo...como tive dores!!!

Eu praticamente não dormi a gravidez toda, eram apenas cochilos, ou desmaios de tão cansada! Me sentia insegura...Chorava por tudo, até com propaganda de bolacha na TV!

Descobri como posso me tornar uma pessoa insuportável!!!

Passei a gravidez deprimida!!! Era muito incômodo!

Tive sem ter nem pra que um forte sangramento...ameaça de aborto que me fez ficar de molho por mais de um mês.

Eu vivia insegura, aquele serzinho crescendo dentro de mim me apavorava e não conseguia enxergar poesia naquilo! Os únicos momentos bons eram na hora da ultra, onde víamos ele se mexer todo e cada vez se formando!!! O estado de graça terminava aí! O resto era para fazer graça aos desafetos, pq era um incômodo só.

Claro que eu amava o filho que crescia em meu ventre...mas, era aquele amor de cuidar para que nada de mal acontecesse a ele!

A partir do quinto mês comecei a ficar toda inchada e meus pés e pernas foram os que mais sofreram...

No fim da gravidez, faltando uma semana para 8 meses tive pré-eclampsia e quase morremos eu e ele!

Por precaução da obstetra que me acompanhava já estava internada na maternidade há 2 semanas e pegaram o pré-eclampsia de pronto e assim nasceu meu segundo filho! Parto de urgência, cesário e ele ainda ficou 10 dias na UTI Neonatal...

Quando o colocaram em meu colo, recém nascido todo melecado por uma gordura branca, só conseguia dizer: "Deus o abençoe" e alisava meio com medo sua testinha.

Hoje sei e tenho convicção que só conseguimos amar nosso filho depois que ele nasceu e começamos a cuidar dele e interagir com ele!

A gravidez em nada tornou Guilherme mais meu filho do que o Henrique. Hoje, eles são dois filhos adoráveis, cada um na sua faixa etária e com diferentes facetas, tb em virtude da personalidade deles como indivíduo!!!

Sim, meu marido que viveu por 14 anos o drama de não me engravidar, depois que a gente quase morre, tratou de fazer vasectomia e me disse com seu jeito meigo: "Se quisermos e tivermos condições de ir atrás da nossa menininha, ela virá adotada! Sabemos que se trata da mesma coisa! É só um meio diferente de chegada dos nossos filhos"!

Lembro que desatei a chorar emocionada e orgulhosa do Homem que meu Guga se tornara!!!"

10 comentários:

Célia disse...

Que texto emocionante!

Renata Palombo disse...

Ser mãe é sempre emocionante não importa como aconteça....

Aline disse...

oi Renata, não sei se lembra de mim, sou a Aline, q frequentava o Mar Paulista, também adotei uma bebe hoje ela esta com 1aninho, tambem estou passando por essas coisas, fico com muito medo, mas sei q Deus vai me dar sabedoria..Bjos

Renata Palombo disse...

Aline, Deus já esta te dando sabedoria....

Clau Finotti disse...

Oi Renata!

Que relato lindo!

Quer dizer, nem tão lindo assim. Como é que na própria família da gente pode ter tanto estrupício pra dar palpite contra adoção, né? Na minha família tem muita gente adotada, é tudo misturado, ninguém faz diferenciação e portanto aceitam bem o fato de eu querer adotar. Na família do marido eles não tem hábito de adotar, mas mesmo assim aceitam. Não amam de paixão a ideia mas aceitam. Já deixei bem claro que quem não aceitar nossa decisão e por ventura um dia (ai dessa pessoa,rs) proferir alguma palavra desagradável contra nosso filho, essa pessoa não será bem vinda ao nosso convívio.

Filho é filho, adotivo ou biológico. Ninguém devolve um filho biológico que está doente ou sendo rebelde, mas os adotivos querem que sejam devolvidos, né?

Beijo grande.

Clau

Renata rccaulo@hotmail.com disse...

Oi Renata, estou me habilitando pra adoção, mas já apaixonada por uma menina linda de 5 anos(o que eu nem considero adoção tardia, já que para mim ela é um bebezão) adorei seu blog, espero que possamos trocar muitas idéias ainda.

Renata Palombo disse...

Renata, estarei na torcida e disponível para o que precsar!!!

Claudia Martins disse...

Renata, estórias como a sua são combustíveis para minha longa estrada.
Um grande beijo!
Estou te seguindo.

Mamy Antenada disse...

Lindo, lindo, lindo...
sou gestante do coração e quase não consegui terminar de ler pois as lágrimas não me deixavam!!
Bj Bj

Mamy Antenada disse...

Lindo Lindo Lindo!
Quase não consegui terminar de ler o texto, as lágrimas não deixavam!!
Sou gestante do coração, estamos nessa luta da espera!!
Bj Bj

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