Postado e Escrito por Renata Palombo

Fonte da Imagem:http://www.paisefilhos.pt/
A adoção, por si só, já é um tema muito complexo de ser
abordado, em se tratando de adoção tardia a complexidade aumenta ainda mais.
Vemos que a adoção tardia é permeada por muitos preconceitos e infelizmente no
Brasil, os poucos estudos científicos que existem nessa área descrevem casos
clínicos e psiquiátricos que associam a adoção a problemas e fracassos.
No entanto, nos últimos anos o tema tem sido cada vez mais
divulgado e discutido, principalmente pelo aumento de Grupos de Estudo e Apoio
a Adoção. Isso tem refletido socialmente de forma positiva, colaborando para
desmistificar os conceitos errados sobre adoção. Fato que esse avanço acontece “a
passos de formiga”, mas não deixa de ser um avanço que precisa ser valorizado.
Hoje, no Brasil, a adoção é vista como solução para
infertilidade, o q faz com que a maioria dos candidatos a pais adotivos desejem
adotar um bebê. Em geral somente as crianças até três anos conseguem colocação
em famílias substitutas. As crianças mais velhas são adotadas por estrangeiros
ou permanecem nas instituições até completarem a maioridade.
É bem verdade que a LENTIDÃO da justiça contribui MUITO
para que muitas crianças com perfil para adoção permaneçam institucionalizadas
e cresçam nos abrigos. Porém este é assunto para outro post.
As justificativas dos adotantes para rejeitarem crianças
mais velhas relacionam-se fundamentalmente com o medo das dificuldades na
educação (como se ter filhos biológicos ou adotar bebês garantisse controle e
sucesso na educação destes).
Muitos acreditam que crianças adotadas tardiamente viriam
com padrões sociais estabelecidos e não seriam capazes de se adaptar a nova
realidade familiar e atender aos anseios dos pais (como se filhos biológicos ou
adotados bebês atendesse a todos os anseios parentais).
Os preconceitos mais comuns quanto a adoção tardia são:
a) medo de adotar crianças mais velhas pela dificuldade da
educação
b) receio que a criança venha com maus hábitos
c) a criança saberá de sua origem, sendo melhor adotar bebê
e esconder dela que é adotada simulando por toda a vida uma família biológica.
Muitas famílias não bancam a adoção tardia porque não sabem
diferenciar entre a aceitação/inserção completa da criança na família, e o
desejo/tentativa de apagar suas origens e história de vida.
É necessário que
pais adotivos tenham muito claro que ainda que adotem recém-nascidos jamais
poderão apagar a origem e história de vida pregressa à eles. Viver na mentira
não é o mais indicado para construir a base de uma família. Saber que é adotado
não é o grande vilão das crianças que apresentam problemas emocionais ao longo
da vida... o grande vilão é sem duvida o significado que os pais dão para esta
adoção. Podemos citar aqui alguns significados ruins que se dá para a filiação
adotiva como por exemplo, usar a adoção como prêmio de consolação para infertilidade
e depositar na crianças suas frustrações por nunca ter conseguido gerar biologicamente,
valorizar mais o “sangue que corre na veia” do que a convivência e a aceitação
incondicional, usar a adoção da criança para resolver um problema conjugal,
usar a adoção como forma de responder a uma cobrança social de que é necessário
ter filhos, desejo de fazer caridade...
entre tantos outros significados disfuncionais que poderíamos citar aqui.
A adoção desta maneira termina por não ser um processo nada fácil.
Seria necessário uma mudança na sociedade e um preparo das pessoas para
proporcionar de fato o encontro de pais para todas as crianças.
Hoje, o fato é que uma imensa quantidade de crianças acima
de três anos continuam sem família enquanto uma imensa quantidade de candidatos
a adoção pleiteiam crianças mais novas.
As crianças maiores ficam à espera de pais, e pais a espera
de bebês.
Adoção Tardia: Por que não?
Fonte consultada: Ebrahim, S. G. (2001). Adoção Tardia: Altruísmo, Maturidade e Estabilidade Emocional. Psicol. Relfex. Crit. vol. 14 nº1 Porto Alegre
Um comentário:
Perfeito!!
Sempre falei que os pais adotivos tem que estar bem conscientes nessa etapa, e estarem de acordo com o que seu coração está disposto a aceitar! Adoção não é caridade, Adoção não é uma forma de você desligar e achar que vai engravidar depois, não é a solução para a infertilidade! Adoção é a vontade de ser pai e mãe!!
Bj Bj
Pri Aitelli
www.mamyantenada.com
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