segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Bruxa Má é ela, eu não!

Escrito por Juliana Palombo
Postado por Renata Palombo
Fonte: Google Imagens

Fui agraciada por este lindo texto de Juliana Palombo. Me emocionou muito. Espero que gostem! 

"Quem vencerá o duelo acima? A decisão é sua! Mas vou ajudar na reflexão. Para isso decidi escrever esse post a base de dois papéis, o de mãe e o de psicóloga, assim posso falar do tema com emoção e com razão.

Durante os cinco anos da faculdade aprendi e descobri coisas valiosíssimas, dentre essas, que o sucesso da nossa profissão está em sermos empáticos. Mas o que é empatia?

A psicologia chama de “inteligencia emocional”. Para Hoffman (1981), é uma resposta afetiva apropriada à situação de outra pessoa, e não à própria situação. Ou seja, é se colocar no lugar do outro, mas não para dar a sua opinião na vida desse outro, e sim para ser exatamente o outro. Difícil né? Mais fácil é dar pitaco.

E porque estou falando de empatia sendo mãe psicologa, quer dizer, na ordem certa dos acontecimentos, o correto é como psicóloga mãe? É simples, hoje enquanto repetia a árdua tarefa de ensinar meu filho de cinco meses a dormir sozinho (tarefa mais pesada e cansativa que me arrepia só de pensar que existe essa hora na minha e na rotina dele) recebi uma notificação no facebook da minha irmã relatando com certa angústia que uma pessoa leu o blog e por conta de um dos posts voltou atrás em uma decisão.

Quem acompanha este blog, sabe que um dos temas é adoção. Essa pessoa, afirmava que estava tão desgastada com a relação mãe e filho que iria devolver o garoto, mas ao ler o post “A chegada do filho e a fase de adaptação” (Se você não leu, leia) repensou e viu que precisava insistir mais e mais, afinal filho é para sempre.

Aposto que se você chegou até aqui na leitura, é provável que tenha processado na sua mente e no seu coração não a decisão final de não devolvê-lo, e sim um julgamento sobre a atitude inicial de desejar devolver. E se isso aconteceu, seu pensamento foi mais ou menos assim:

- Nossa que horror, para que adota se vai cometer essa crueldade. Certeza que esse vai ser revoltado. Bruxa Má!!!

PÁRA TUDOOO e volte a ler sobre empatia e exercite esse conceito.

Pensar nessa mãe bem na hora que eu estava quase chorando porque já estava quase há duas horas tentando fazer o filho dormir, já com dor nas costas, sede e óbvio que muito sono, lembrei que também já desejei devolver meu filho, mas para barriga e atire a primeira pedra a mãe que nunca desejou isso, ou indo mais longe, desejou que seu filho voltasse pro esperma do papai e que de lá nunca tivesse saído?

A diferença entre a mãe do biológico e a mãe do adotivo é que cada uma deseja que seu filho volte pro lugar de origem. Mas a ação é igual para ambas, pois situações de desespero e angústia são idênticas.

Atire a primeira pedra aquela mãe que indiretamente não deu aos avós, tios, ao pai ou sei lá quem os cuidados do seu filho porque cansou?

Atire a primeira pedra a mãe que em um ato de desespero desejou do fundo do coração ter a sua vida de volta onde a preocupação era ela e não o filho?

Atire quantas pedras forem necessárias se você que se tornou mãe já não desejou voltar a ser só filha.

Eu já fui todas essas mães, e olha que só tenho cinco meses de estrada! Negritar a palavra cinco é para reforçar que precisei de cinco meses de prática (meu tempo de mamãe) para entender cinco anos de teoria (época da faculdade).

Não estou defendendo nenhuma dessas mães, nem acusado, apenas levando a reflexão e a quebra do preconceito.

Depois que me tornei mãe, estou aprendendo a ser empática, pelo menos com esse público. O exercício começou com a minha mãe, afinal quem vocês acham que culpo por ter traumas, recalques, problemas, erros? A minha mãe, óbvio. Mas que na primeira semana que passei noites em claro e vi meu humor oscilando em minutos já comecei a perdoar aquela que errou sim, mas tentando acertar.

A segunda que estou aprendendo a ser empática é com a minha irmã, que tornou-se mãe dois anos antes de mim. Minha irmã, autora desse blog, mãe por adoção, e em nada diferente de mim, mãe por parto cesárea. Passamos pelas mesmas neuras, temos os mesmos surtos, os mesmos desejos e diariamente estou aprendendo que ser mãe é a escolha de ter filhos e não a forma como eles nos chegam.

Enfim, ainda bem que existe preconceito, julgamento e pitacos. Se não por eles, como as pessoas que querem ser melhores cresceriam? Afinal, refletir, amadurecer e empatizar é que formam seres humanos melhores.

Se você, mãe, que leu esse post sente culpa por ter se enquadrado em algum exemplo, perdoe-se, pois mães em algum momento de BRUXA MÁ desejam sim não serem mães, considerando que antes de tornar-se mãe você era e continua sendo SER HUMANO.

É uma dádiva a maternagem, mas é mentira que ela nos santifica.

Mães não devem ter vergonha de pedir ajuda. Temos que fazer isto diariamente.

Uma colega disse que para educar filhos, a melhor cartilha é a do coração, eu concordo, porém finalizo com uma pergunta:

- Como vai o seu coraçao? Se ele será a cartilha deve estar em paz, deve estar saudável, deve estar em boas condições, porque esse mesmo coração que as vezes quer fugir e engolir os filhos é o mesmo que dará a eles amor, carinho e confiança.

Educar não se faz apenas com palavras, mas se completa com exemplos de dia a dia.

Nesse duelo, pelo menos eu, quero aprender todos os dias a ser empática.

Torço o mesmo por você!!!"

5 comentários:

Renata Palombo disse...

Aproveitando este lindo texto para lhe agradecer por participar mais uma vez do meu blog e para lhe desejar um feliz dia do psicólogo! Além de excelente mãe, é tb uma excelente profissional. Amo vc!!!

Marcela Muolo disse...

Palombo, adorei o texto! Quando estava grávida, me perguntei um milhão de vezes quando tocaria a musiquinha perfeita das novelas para mim. E também em que momento nasceria o tal amor condicional que não tinha tomado conta do meu coração ainda. E apesar de ficar encantada com a evoluçāo de todos os ultrassons, me sentia ao mesmo tempo culpada por achar que seria uma péssima mãe ou ter ficado grávida 2 anos antes dos nossos planos. Hoje, coincidentemente a ler o seu post, estou na primeira febre do Mateus. Tive e de vez em quando tenho todos os "sintomas" da bruxa má, mas ao mesmo tempo um amor sem tamanho por essa pessoinha que me olha de um jeito que nunca mais serei olhada na vida! Obrigada pelo texto e me fazer sentir normal como todas as mães! Apaixonada, deslumbrada e com sentimentos contraditórios no peito! Bjs

Juliana Palombo disse...

Maaaaa, estou chorando mto com o q escreveu pra mim no post acima... É isso mesmo minha amiga, td é mto contraditorio. Nao se iluda com esse amor soberano q pregam, pq ele é dia a dia, ele é pessoal e intransferivel. Vc jamais será pessima mae, e qndo for é pensando no bem estar da familia q está em suas costas. Obrigada por dividirr seus sentimentos comigo e tambem me fazer sentir normal. Adorariamos q vc escrevesse um texto de sua experiencia como mae para partilharos no blog.. Topa!? Bjs

Anônimo disse...

E pelo jeito isso tudo não é só na fase do blues não... esses sentimentos acho que vão fazer parte da nossa vida de mãe pra sempre! E que venham fases e mais fases!!!

Juliana MS disse...

Ju e Re, gostei muito do texto. Acho que esse esforço vai fazer parte da nossa vida mesmo. Cada dia aparece uma situação nova onde somos obrigadas a escolher o que vamos pensar de nós mesmas pois fixamos em nossa mente um ideal de realidade que muitas vezes foge do nosso controle. Uma vez me disseram que pais erram tentando acertar. E acho que é por aí mesmo. Em nosso caso, não existe a bruxa má, é ilusão de ótica apenas. Por mais que existam ações que sejam falhas aos nossos olhos o amor verdadeiro está em tentar acertar todos os dias!!!
Bjsss

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