quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Impedida de Ser Mãe?

Escrito e postado por Renata Palombo
Fonte: Google Imagens

Na arrumação da casa encontrei um material da pós graduação que eu fiz em 2004 na área de psicologia hospitalar. Nesse material tinha os resumos das monografias apresentadas de todos os alunos da turma. Óbvio que eu já não me lembrava de quase mais nenhum trabalho, mas fui relembrando conforme fui folheando o material.

Dentre os temas das monografias encontrei um que me chamou a atenção, cujo o título era: "Impedida de ser Mãe". Lembrei-me que o trabalho tratava sobre as questões emocionais de mulheres com problemas de infertilidade. Lembrei-me também que a autora da monografia havia escolhido o tema baseada em sua própria história de vida, onde já havia passado por alguns tratamentos fracassados para engravidar, incluindo abortos.

Na época eu devo ter achado interessante o tema dela e talvez até admirado sua "coragem" de estudar academicamente sobre si mesma. Mas hoje eu senti tristeza no coração em pensar que milhares de mulheres que sofrem de infertilidade sentem-se, assim como ela, impedidas de serem mães.

Algumas conseguem engravidar logo nas primeiras intervenções clínicas para infertilidade, outras não. Tratamentos de fertilidade são, na grande maioria, longos, desgastantes, doloridos e custosos. Interferem no corpo, no humor, no trabalho, na família. Certamente cada mulher/casal tem o seu limite do quanto está disposta(o) a suportar para conseguir engravidar. E de quanto tempo estão dispostos a esperar também.

Mas eu fiquei pensando de que infertilidade esse trabalho tratava. Será que da infertilidade física ou emocional? Se o sonho é ficar grávida a infertilidade física certamente pode impedir de realizar este sonho. Se o sonho é ser mãe, a infertilidade emocional certamente pode impedir de realizar o sonho. Qual das duas infertilidades deve ser tratada?

Eu nao sei que rumo tomou a vida dessa colega de pós graduação. Eu não sei se ela conseguiu engravidar, se conseguiu ser mãe, se desistiu de tudo... Eu sei que se eu voltasse no tempo e pudesse lhe dizer algo sobre o assunto eu diria o seguinte: "Se seu sonho é ficar grávida faça tudo o que estiver ao seu alcance, tudo! Pague o preço que for, passe por quantas intervenções médicas forem necessárias e possíveis, porque no dia em que você conseguir engravidar tudo terá valido a pena! Mas se o seu sonho for ser mãe, não se sinta impedida, você pode encurtar o caminho... "

Tem pessoas que podem realizar o sonho da maternidade através da gravidez. Outras não.

Eu nunca fiquei grávida. Eu não fui impedida de ser mãe!

5 comentários:

Juliana Palombo disse...

Para muitas mulheres a maternidade so parece possivel pela gravidez física, pq é a forma mais confortável delas se encorajarem ao papel de Mãe. Nesse processo o estágio físico que amadurece nelas o lado emocional. Ja a gravidez emocional é preciso querer ser mãe bem antes de gerar emocionalmente esse filho. Nesse processo o lado emocional amadurecido que assegura a elas todas as condições físicas. Independente de como, vale ressaltar que ambas tem seus onus e bonus e o maior bonus que se tem é que se física ou se emocional nessa decisão nasce um filho, e quando nasce um filho, nasce junto uma mae, um pai e uma família!!!

Alyne disse...

http://sermaesemsermao.blogspot.com/2011/12/voce-quer-mesmo-ser-mae.html


Oi Renata, estou te mandando esse link, pois não pude deixar de relacionar as duas coisas, afinal eu tenho uma opinião muito firme de que, nem sempre, o nascer de um filho produz o nascimento de uma mãe, como eu disse nesse texto, algumas mulheres podem gerar 10 filhos e não ser mãe de nenhum sequer, assim como uma mãe como voc (as vezes acho que algumas mães já nascem mães) são inegávelmente MÂES sem precisar conceber e gerar um bebê. Eis o que penso, e gostaria muito de saber sua opinião sobre o texto. Bjs!

Renata Palombo disse...

Alyne, eu já tinha lido esse seu post e gostado muito... compartilho da mesma opinião q vc. Por isso me entristece muito qdo as pessoas julgam q mães adotivas amam menos q mães biológicas, as adotivas escolhem ser mães, as biológicas nem sempre. Tb não somos melhores do que as biológicas por amarmos alguém q não geramos... Somos como qquer mãe que independente da gravidez física, gesta seus filhos também no coração. Obrigada por esse lindo texto.

Patrícia disse...

Pois é..

Isso foi dito pelo meu ginecologista de confiança de SP quando eu decidi adotar

"Para ser mãe não é necessário estar gravida"

Daniela Rubi disse...

Ótima postagem! Eu me sentia frustrada por me sentir impedida de engravidar, mas quando entendi que não estava impedida de ser mãe meu coração se encheu de alegria e percebi que havia um lindo futuro para mim. A adoção é um presente de Deus!

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