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sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Adoção não é tratamento para infertilidade

Escrito e Postado por Renata Palombo
Fonte: www.sxc.hu

Tem muitas coisas que adoção não é, como por exemplo:

Adoção não é caridade!

Adoção não é ato de coragem!

Adoção não é loucura!

Adoção não é prêmio de consolação para quem não pode gestar!

De todos estes "não é", hoje eu queria falar sobre: Adoção não é tratamento para infertilidade!

Quem leu meu último post ("Você não pode ter filhos?") conheceu um pouquinho da minha jornada para a maternagem e viu que quando eu decidi ser mãe eu entrei na fila de adoção ao mesmo tempo em que parei de evitar gravidez. Diferente de muitas, eu não fui daquelas que esgotou todas as possibilidades de gravidez antes de escolher a adoção, mas mesmo assim as pessoas sempre relacionavam minha opção pela adoção a uma possível infertilidade.

Uma das coisas que eu ouvi muito, muito e muito quando meus filhos chegaram foi:

- Agora que você adotou, logo você estará grávida!

Peraí! Agora adoção virou tratamento pra infertilidade??? É bem verdade que muitas mulheres engravidam logo após a adoção, diz alguns que é porque a pessoa fica menos ansiosa e aí a gravidez acontece, mas em nenhum momento a adoção deveria ser motivada por isso, porque adoção também não é remédio para ansiedade.

Eu, sinceramente, sentia medo quando ouvia essa frase, porque a chegada do filho e a fase de adaptação foi tão dificil que a última coisa que eu precisava naquela época era engravidar.

Teve uma pessoa que chegou a me dizer que minha atitude de adotar era tão bonita que certamente Deus me abençoaria com um filho de verdade!!! Ai!!! Se aqueles filhos que estavam na minha vida não eram de verdade, eu não sabia mais nada sobre mim mesma e sobre a vida que eu estava levando.

Hoje, já se passaram alguns anos de quando chegaram meus filhos e eu não engravidei (UFA!), ou o "tratamento" não funcionou pra mim ou adoção realmente não é tratamento para infertilidade.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

"Você não pode ter filhos?"

Postado e Escrito por Renata Palombo
"Você não pode ter filhos?"

Essa é uma pergunta que ouço constantemente. Decidi usar o espaço do blog para responder essa pergunta em massa e publicamente, porque pode ser que quem acompanha meu blog também se faça esta pergunta.

-Sim! Posso ter filhos! Tanto que tenho dois!

O que as pessoas realmente gostariam de saber quando me fazem essa pergunta é se eu não posso engravidar.

Durante um bom tempo da minha vida eu não desejava ter filhos. Então aconteceram algumas coisas que despertaram em mim o desejo da maternagem, na mesma época eu me inscrevi no cadastro nacional de adoção e parei de evitar gravidez... nunca fiquei grávida, a adoção veio primeiro. Eu tinha escolhido ser mãe, pra mim não importava a forma como estes filhos chegariam até mim.

Sempre tive alguns problemas ginecológicos, mas nunca recebi diagnóstico de infertilidade, pelo contrário, todos os ginecologistas que eu me consultei a vida inteira sempre garantiram que eu podia engravidar. Logo que eu parei com os anticoncepcionais fiz exames e tudo funcionava muito bem no meu aparelho reprodutor, menos minha ovulação que era inconstante mas todos os ginecologistas diziam que isso não era impedimento para engravidar.

Também nunca quis fazer tratamentos. Para não dizer que nunca fiz nada, tomei indutor de ovulação por dois meses, nestes dois meses tive menstruações horríveis e decidi que para ser mãe eu nao precisava sofrer tanto. Se com o tratamento mais simples eu já tinha sofrido tanto, imaginei como seria os próximos passo com dosagens hormonais cada vez maiores e procedimentos cada vez mais invasivos. Pode ter sido covardia da minha parte? Pode ser que sim! Confesso que muita gente me chama de corajosa quando sabe que adotei filhos, mas na minha percepção precisa ter mais coragem pra gestar e parir do que para adotar. Mas acho que corajosa mesmo é quem decide ser mãe e assume de fato as descobertas e responsabilidades disso, porque quem já é mãe sabe que essa missão não fácil.

Diante disso tudo, eu e meu marido decidimos deixar as coisas acontecerem da forma como deveriam ser!!! E meus filhos acabaram "nascendo" pela adoção, depois de muito mais que nove meses de "gestação" (falo um pouco sobre meus "partos" em O melhor tipo de parto).

Eu ainda tenho o desejo no coração de ter mais um filho. Talvez daqui uns três ou quatro anos. Continuo na fila de adoção e continuo não evitando gravidez, eu não sei o que Deus vai me dar! Não sei como vai "nascer" meu terceiro filho e nem se vai vir, porque hoje tenho uma missão muito mais dificil do que ter este terceiro filho: convencer o marido sobre o assunto (rsrsrsrsrs)!

Então... respondendo de novo a pergunta que muitos me fazem:

SIM, POSSO TER FILHOS!! TANTO QUE JÁ TENHO DOIS!!! E SE TUDO DER CERTO, LOGO TEREI TRÊS.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Aniversário de São Paulo

Postado por Renata Palombo
Escrito por Rosana Gonçalves
Fonte: Baixaki

Este texto é da Rosana, uma seguidora de nosso blog. Ela nos enviou dois textos para contribuir com o blog: um que ela escreveu há exatamente um ano atrás, quando decidiu iniciar um diário sobre sua gestação e outro escrito por ela hoje, atualizando-nos de sua situação. Hoje seu diário completou um ano, aniversariando juntamente com a cidade de São Paulo. Em comemoração a cidade e ao diário da Rosana, escolhi publicar os textos nesta data conforme segue abaixo:


Inicio do Diário há um ano:
Agora são 11h25 do dia 25/01/11, comemoramos o aniversário desta grande metrópole, linda e caótica. Na Marginal Pinheiros tem milhares de ciclistas todos com seus equipamentos passeando e contemplando nossa SP. É uma manhã de terça-feira com um lindo sol em um céu azul, estou sentada ao lado do meu amor, ele está com o note dele no colo e eu com o meu, ele trabalhando (como sempre) e eu pesquisando algumas coisas sobre uma grande novidade que surgiu na minha vida como um feixe de luz, pesquisei, pesquisei - até que veio uma idéia na minha cabeça “Vou escrever sobre os meus dias, minhas angústias, minhas dúvidas e alegrias típicas deste momento tão especial!”


No meu ventre cresce uma vida, ainda pequena e indefesa, um pequeno ponto de luz que ilumina tudo a volta, um milagre de Deus!
Este é meu terceiro filho, o primeiro se foi ainda em fase de pequena luz (7 semanas de gestação), a dor de vê-lo indo foi inigualável. O segundo veio logo em seguida, em menos de 1 mês gerei meu segundo pontinho de luz, esse ficou comigo por 10 semanas, vi meu corpo mudar, meus sentimentos aumentarem e ouvi seu pequeno coração bater, foi emocionante, algo que somente vivendo pode-se saber o que é, minha barriga já aparecia – porém meu coração começou a ficar apertado e pedi a Deus que me mandasse um sinal, eu sabia que algo não ia bem com meu pequenino, foi então que senti uma forte dor nas costas e fui ao hospital,  lá chegando tive a triste noticia que meu pequeno pontinho de luz tinha me deixado, seu pequeno coração já não batia mais, aquele pequenino tinha ido "morar' ao lado de Deus, me revoltei, chorei, blasfemei.
Texto escrito hoje:
Hoje tenho a imensa alegria de dividir um novo momento em minha vida:
Há 1 ano eu descobria que estava grávida, era aniversário de São Paulo como hoje! Aniversário da minha cidade querida! Eu estava assustada com a novidade, pois eu havia perdido dois bebês e tinha que enfrentar novamente uma luta pela frente, eu não sabia se conseguiria ter meu tão esperado bebê! 2011 foi maravilhoso e cheio de emoções, minha gestação foi tensa, até o 4 mês eu mal conseguia contar que estava gestante, uma loucura, mas eu estava travada e com medo! Graças a Deus minha barriga foi crescendo e a cada ultrasson eu via minha princesa se desenvolvendo e ficando cada dia mais forte, no dia 10/09/11 ela nasceu e hoje ela está com 4 meses e 20 dias, acordei cedo para amamentá-la e assim como no ano passado haviam ciclistas na marginal pinheiros, vi pela janela do meu apartamento, a diferença é que hoje eu tinha em meus braços o meu anjinho, meu presente de Deus, ela sorriu para mim e o dia se iluminou! Ser mãe é maravilhoso, transformador!
PARABÉNS A SÃO PAULO E A MAMÃE ROSANA!!!!

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Sede de Ser Mãe

Postado por Renata Palombo
Escrito por Adriana Silva Pinto Antonio
Fonte: Google Imagem

Adriana vem acompanhando nosso blog e manifestou seu desejo em poder publicar aqui sua história de construção com a maternagem. Seu texto enriqueceu muito nosso blog e foi muito bem vindo. Esperamos receber outros textos seus, Adriana!!

"Eu já tenho 31 anos, sou casada há 4 anos, já terminei a faculdade e tenho um bom emprego em uma boa empresa. Quando vem o herdeiro?

Eu não tenho resposta para essa pergunta, o que sei é que quero ser mãe. E esse é um desejo antigo, sempre tinha uma desculpa para prorrogar a realização deste sonho. Eu não tenho mais desculpas, agora tenho um problema para resolver, mas cada dia que passa meu útero parece que grita, pelo desejo de gerar um filho. Já não tomo pílulas anticoncepcionais há mais de dois anos, porque eu pretendo ter filho "logo". Mas uso outros métodos contraceptivos.

No início de 2010 minha menstruação atrasou por mais de 30 dias, fiquei eufórica com a possibilidade de estar grávida, procurei o médico e fiz o exame de sangue, e junto com ele fiz outros exames que estavam pendentes algum tempo, mas para minha surpresa eu não estava grávida, infelizmente. Enquanto o resultado do exame médico não saia eu ficava em devaneios, feliz da vida, fazendo vários planos, pensando se seria menino ou menina, se teria saúde, quem ficaria com ele para eu trabalhar etc. Para minha tristeza e felicidade (já explico) eu recebi o resultado: negativo.

Fiquei feliz, porque eu descobri que se eu estivesse grávida seria uma gravidez de risco para mim e para o bebê, pois junto com o resultado negativo do BHCG veio o de positivo para a Diabetes. Daquele dia em diante o desejo de ser mãe parece que tomou conta de mim, meses depois minha irmã mais velha nos deu a notícia que estava grávida. Nossa! Foi uma das melhores notícias na minha vida, curti todos os momentos até os mais difíceis com muita oração. E minha sede de ser mãe aumentou.

Poxa, porque é tão difícil tomarmos esta decisão e quando nos sentimos prontas, vem a vida e nos dá uma outra resposta? Já procurei minha ginecologista que me disse que eu não deveria ficar grávida agora, preciso controlar todas as minhas taxas e aí então pensar no assunto, mas eu já tenho 31 anos e não consigo controlar, o que faço com o desejo de ser mãe? Eu neste dilema: quero ter filhos, mas ainda não posso. Vem minha avó que eu tanto amo e me fez um pedido, "Filha quando você vai dar um netinho para vovózinha? Eu quero ver um filho seu".

Eu nunca pensei que fosse difícil realizar esse sonho, eu vejo tantas meninas (literalmente) com filhos nos braços, vejo tantas mães que jogam os seus filhos no lixo (choro todas às vezes), tantas crianças para adoção! Achei que fosse fácil tomar a decisão e "executar o plano", mas é muito mais complexo do que imaginei. E esse ano de 2012, vai ser um ano novo para mim, comecei este texto novembro de 2011 e só agora consegui terminar, isso porque muitas coisas aconteceram desde então e como sempre adiei mais um pouco.

Estou fazendo dieta há algum tempo, estou na luta para controlar as taxas e quem sabe daqui alguns meses eu possa começar a tentativa efetivamente. E aí vai ser outro capítulo da minha vida, seja feita a vontade de DEUS (é no que eu acredito)."

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Impedida de Ser Mãe?

Escrito e postado por Renata Palombo
Fonte: Google Imagens

Na arrumação da casa encontrei um material da pós graduação que eu fiz em 2004 na área de psicologia hospitalar. Nesse material tinha os resumos das monografias apresentadas de todos os alunos da turma. Óbvio que eu já não me lembrava de quase mais nenhum trabalho, mas fui relembrando conforme fui folheando o material.

Dentre os temas das monografias encontrei um que me chamou a atenção, cujo o título era: "Impedida de ser Mãe". Lembrei-me que o trabalho tratava sobre as questões emocionais de mulheres com problemas de infertilidade. Lembrei-me também que a autora da monografia havia escolhido o tema baseada em sua própria história de vida, onde já havia passado por alguns tratamentos fracassados para engravidar, incluindo abortos.

Na época eu devo ter achado interessante o tema dela e talvez até admirado sua "coragem" de estudar academicamente sobre si mesma. Mas hoje eu senti tristeza no coração em pensar que milhares de mulheres que sofrem de infertilidade sentem-se, assim como ela, impedidas de serem mães.

Algumas conseguem engravidar logo nas primeiras intervenções clínicas para infertilidade, outras não. Tratamentos de fertilidade são, na grande maioria, longos, desgastantes, doloridos e custosos. Interferem no corpo, no humor, no trabalho, na família. Certamente cada mulher/casal tem o seu limite do quanto está disposta(o) a suportar para conseguir engravidar. E de quanto tempo estão dispostos a esperar também.

Mas eu fiquei pensando de que infertilidade esse trabalho tratava. Será que da infertilidade física ou emocional? Se o sonho é ficar grávida a infertilidade física certamente pode impedir de realizar este sonho. Se o sonho é ser mãe, a infertilidade emocional certamente pode impedir de realizar o sonho. Qual das duas infertilidades deve ser tratada?

Eu nao sei que rumo tomou a vida dessa colega de pós graduação. Eu não sei se ela conseguiu engravidar, se conseguiu ser mãe, se desistiu de tudo... Eu sei que se eu voltasse no tempo e pudesse lhe dizer algo sobre o assunto eu diria o seguinte: "Se seu sonho é ficar grávida faça tudo o que estiver ao seu alcance, tudo! Pague o preço que for, passe por quantas intervenções médicas forem necessárias e possíveis, porque no dia em que você conseguir engravidar tudo terá valido a pena! Mas se o seu sonho for ser mãe, não se sinta impedida, você pode encurtar o caminho... "

Tem pessoas que podem realizar o sonho da maternidade através da gravidez. Outras não.

Eu nunca fiquei grávida. Eu não fui impedida de ser mãe!
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