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sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Natal: Como "ensinar" aos filhos o verdadeiro sentido

Escrito e Postado por Renata Palombo


Fonte: Google Imagens

Todos sabemos que dia 25 de Dezembro é comemorado o Natal, que nada tem a ver com Papai Noel, renas, presentes, neve, mas sim com o nascimento de JESUS, o Filho de Deus nesta Terra. Sabemos também que Ele não nasceu de fato do dia 25 de Dezembro, mas que esta é apenas uma data simbólica, no entanto, é um dia em que as pessoas (em sua grande maioria) se voltam para os bons pensamentos e costumes, se aproximam mais de Deus e dos outros e almejam para suas vidas, mais amor, gratidão, paz... Por um lado é lamentável vermos o consumismo movido por esta data e tamanha benevolência em apenas uma época do ano, mas por outro lado parece quase impossível não nos contaminarmos no clima de festas e confraternizações... e já que seremos "carregados" por esta "onda" é melhor nos adequarmos e buscarmos alternativas para ensinar aos nossos filhos o melhor referente esta data.

Eu tento fazer algumas coisas e oro a Deus para que eles internalizem e compreendam o real sentido do Natal. Queria que eles compreendessem que bons costumes e pensamentos devem ser para todos os dias do ano, que paz, amor e gratidão são frutos de escolhas diárias e que presentes refletem carinho e não consumo.

Uma das coisas que faço é reforçar sempre que possível o que realmente é comemorado nesta data. Falamos sobre o porque Jesus nasceu neste mundo, sobre seu ministério, morte e ressureição para salvação da humanidade e remissão dos nossos pecados. Falamos sobre a importância de Jesus na nossa vida hoje e agradecemos nas orações a Deus por ter enviado seu filho. Busco assistir filmes e ler histórias sobre este tema. Como somos cristãos, falar sobre Jesus é algo constante em nosso dia-a-dia, mas o tema de seu nascimento acaba por ser mais falado nesses dias natalinos.

Acho que aqui poderia entrar um adendo sobre as lendas natalinas. Vejo que muitas famílias cristãs ficam num dilema sobre reforçá-las uma vez que "anulam" ou contradizem o foco real do Natal que é o nascimento de Cristo. Confesso que para nós isso nunca foi um grande dilema, não sei se isso é bom ou ruim. Quando o Diego chegou ele acreditava no Papai Noel e nós alimentamos muitas vezes sua fantasia. Penso que fantasias fazem parte do imaginário infantil e do desenvolvimento e não nos sentimos no direito de tirar isso dele. Nunca deixamos de falar sobre o real sentido do Natal, mas como ele era pequeno não conseguia se dar conta da contradição das histórias e as acomodava muito confortavelmente dentro dele. O que já não acontecia com a Naty que demonstrou sua indignação por várias vezes ao ver o mundo exaltar as tradições humanas e esquecer-se de Jesus. É orientada a respeitar as pessoas naquilo que querem crer, mas falar sobre o verdadeiro motivo do Natal sempre que fosse possível e assim ela faz com o coração cheio de alegria disseminando a palavra de Deus.

No ano passado o Diego já com 8 anos não deu muita importância para o Papai Noel. Chegou a questionar se ele exisita e eu apenas respondi que "existia na nossa imaginação". Ele começou a perceber que qualquer homem podia fantasiar-se de Papai Noel, inclusive ele e o pai dele, entendeu que cada presente que ganhou foi comprado e dado por uma pessoa da família e não questionou o porque do Papai Noel não ter aparecido na entrega dos presentes como nos anos anteriores. Ainda assim escreveu a cartinha para ele e fez questão de ir ao shopping para visitá-lo.

Uma coisa que pra mim é bem dificil de lidar nessa época do ano é a questão dos presentes. Eu percebo que os dois dão muito valor para isso e ficam esperando sempre bons presentes de todos. Temo que isso os faça valorizar mais os bens materiais do que as pessoas. Temo que se frustrem e se revoltem se em algum Natal não estivermos em condições de presentear. Nossas famílias (tanto a minha quanto a do meu marido) tem o hábito de todo mundo comprar presente pra todo mundo, o que faz com que ganhêmos muitos presentes nessa época do ano. O que eu faço pra tentar lidar com isso é explicar repetidas vezes que o maior presente é Jesus e que pessoas são mais importantes que coisas e que mesmo que alguém não nos dê nada vamos continuar amando-o da mesma forma.

Tento fazê-los participar o máximo possível da escolha, compra e embrulho dos presentes, na tentativa de que compreendam que presentar alguém é acima de tudo uma manifestação de carinho e amor e que o valor do presente está muito mais na dedicação que depositamos naquilo do que no valor monetário do mesmo. Acho que isso eles entendem porque em diversas épocas do ano eles nos presenteiam com cartinhas e lindos bilhetes, com desenhos e as vezes até embrulhos mostrando que dedicaram tempo para dar o melhor que podiam e nós, claro, valorizamos muito estes pequenos mimos.

Na noite de entrega deixamos que eles entreguem os presentes para que sintam o prazer da "doação" (percebo que realmente sentem prazer com isso) e antes de sair de casa orientamos que ao presentearmos alguém, fazemos por amor e não para ganharmos algo em troca. Ainda assim vejo que eles ficam ansiosos esperando o retorno, mas como sempre são presenteados por todos, não sei como reagiriam se isso não acontecesse.

Sempre que possível participamos de atividades sociais/comunitárias para que vejam a prática do amor ao próximo tão falado nesse período natalino. No ano passado, por motivos relativos a minha saúde não pudemos fazer nada, mas no ano retrasado distribuimos lanches para moradores de rua e no ano anterior fizemos entrega de presentes para crianças muito desprovidas de bens materiais. Temos por prática ações como esta também em outras épocas do ano, mas é inegável que o "Espírito Natalino" potencializa a motivação e o resultado desses trabalhos.

Por fim acho importante falar sobre a convivência familiar que priorizamos muito durante todo o ano e no Natal não é diferente. Valorizamos também os amigos mais chegados tentando encontrá-los dias antes do Natal para dar um abraço. Até hoje sempre fiz questão de estarmos em família: avós, tios, primos... Lembro que no ano passado acabamos dormindo de improviso na casa da minha mãe e percebi que todos curtimos muito a situação de dormir bem de madrugada, sem pijama, sem escovar os dentes, um no chão, um no sofá, um com o bebê chorando toda a madrugada, enfim, algo desconfortável que se tornou muito divertido e que certamente renderá deliciosas lembranças para todos. Infelizmente meus filhos foram privados da convivência familiar por muitos anos, por isso vou fazer de tudo para que tenham bons registros do amor em família (mesmo com os corriqueiros desentendimentos). Acho que este ano vou me planejar para passar a noite de novo no "improviso" na casa da vó (minha mãe). Talvez eu leve escovas de dentes (rrssrsrs).

É isso!!! Tudo isso!!! O Blog Descobrindo a Maternagem deseja a todos um excelente Natal!!!

Que cada uma de nós, mães, consiga, com pequenas e grandes ações ensinar aos nossos filhos o melhor e o verdadeiro sentido do Natal!

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Amizade e Obediência

Escrito por Juliana Palombo
Postado por Renata Palombo
 
 
Mais um texto de Juliana Palombo. Temática muito interessante. Vale a pena ler e compartilhar com outros pais
 
"Sou mãe recente e desde então muito interessada pelo tema. Faço parte de um grupo pequeno de mães, que se oportunizam durante o dia trocas de experiências e muitos desabafos. Dentre as temáticas abordadas o que prevalece é encontrar a melhor forma de educar os filhos e prepará-los para serem pessoas do bem, até porque essa função não é sorte, é treino diário.
 
Apesar de muitas vezes agirmos por intuição, conhecemos o poder da literatura que nos fornece bons conselhos, sendo sempre um bom caminho. Pensando nisso, decidi escrever esse post para partilhar um tema que certamente será útil a todos que como nós do GMA (Grupo de Mães Amigas) estamos preocupadas com o futuro de nossos filhos.
 
Tratarei da questão da amizade com os filhos em troca de obediência, considerando que se essa amizade começar em tempo e de forma errada, pode acontecer mais problemas que benefícios. Foi do livro Nana, Nenê de Gary Ezzo & Robert Bucknam que me embasei para construir o assunto.
 
A primeira lição é informar de várias maneiras aos seus filhos que pertencer á uma família não é uma opção e sim uma missão, por isso nós pais esperamos a todo o tempo que emitam determinados comportamentos, e deve partir deles disposição para obediência. Devem perceber que algumas virtudes valem à pena adquirir, como por exemplo, amabilidade, bondade, gentileza, caridade, honestidade, honra e respeito pelos outros.
 
Para esse caminho, muitos pais se perguntam: Mas como?
 
E muitos respondem: Sendo amigos dos filhos, certo?
 
Errado! Sim errado! Como assim errado? Todos gostariam de ser amigos de seus filhos, até porque o que poderia soar melhor e mais cativante do que uma família constituída de amigos?
 
De fato, é seguramente uma idéia admirável, especialmente sedutora para essa geração, que estão parte do tempo longe dos pais por conta do trabalho ou até mesmo da tecnologia.
 
Mas a questão é o tipo de amizade que queremos com eles, pois se for para se ter em troca obediência ou igualar os membros da família, não diferenciando os papéis, criar-se-á um tipo de educação denominada criação democrática e pode ser alerta de PERIGO.
 
Ser amigo dos filhos não é o ponto de partida do processo de criação, mas o objetivo relacional. Amizade é algo que como pais, devamos alcançar ao fim dos anos da adolescência. Claro que mesmo assim você vai se divertir com seus filhos. Vocês podem ser amigos durante o processo de educação, sem que essa amizade eleve a criança ao mesmo nível adulto dos pais e nem dos pais ao nível da criança. Essa amizade será conseqüência do tempo e da experiência para essa construção.
 
Acho que dá para compreender que você pode criar com seus filhos cumplicidade, mas sem afastar-e da maternagem e da paternagem responsável.
 
Para que consiga a amizade saudável dentro a relação pais e filhos, você precisa antes firmar o papel de PAI e de MÃE e ai terão tempo de sobra para essa amizade fluir. Já ouvi e vi casos em que os filhos deixam até de chamar de pai e mãe e tratam-se pelos nomes. Já vi e ouvi mães que confidenciam sua vida intima com filhas e filhos que não vêem seus pais como orientadores e sim iguais que vão acolher qualquer atitude.
 
Seu filho deve confiar em você porque admira sua postura e o reconhece como porto seguro e não aqueles que trocam figurinhas, fazendo com que o filho não consiga enxergar no pai experiência necessária para ajudá-lo e sim mais um adolescente tardio que o escuta quando necessário.
 
Pensem nisso e peçam sempre orientação a DEUS, para que sua vida familiar seja repleta de alegria, abundante de memórias doces e não só com as manchas de arrependimento, porque sabemos que elas vão sempre existir, porque pais e mães são experts em errar tentando acertar. Mas garanto, que com DEUS no comando acertaremos com muito mais freqüência."

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Mãe vira Mãe

Postado por Renata Palombo
Escrito por Karina Batista Jorge
 
Em uma conversa a Karina falou algo muito interessante sobre as mães. Logo pensamos: "Isso daria um post bem legal". A Karina, então, se dedicou a escrevê-lo e não é que ficou legal mesmo!

Você já percebeu como todo mundo adora dar conselhos para as mães?

Não é incrível como todo mundo entende perfeitamente como cuidar de uma criança, amamentar um bebê, sarar cólicas, educar um garoto, fazer um recém nascido dormir... desde que tais crianças não sejam seus filhos?

Se você é mãe sabe exatamente do que estou falando.

E sabe também que você mesmo antes de ter se tornado mãe, também acreditava que podia ajudar uma com seus conselhos e com sua percepção tão simplista de como cuidar e educar uma criança. Afinal, tudo é tão óbvio, os programas de TV mostram e os livros explicam com tanta clareza como tudo funciona...

Quando estamos de fora da situação (maternidade) tudo parece tão fácil que chegamos a pensar: "Como esta mãe não percebe que é que nisto que ela está errando?" Ou... "como ela não se dá conta de que basta fazer tal coisa, ou agir de tal maneira, ou usar tal remédio ou técnica que ela estará livre daquele problema?"

E chegamos ao cúmulo de pensar: "É... acho que eu vou ser uma ótima mãe, porque sei exatamente do que é preciso, vou ler e me informar bastante pra saber como tudo funciona, exatamente como se faz antes de se pôr em prática qualquer projeto".

Melhor ainda quando se tem então a oportunidade de se formar numa área que teoricamente ajudaria no tal “projeto maternidade”, como por exemplo, fazer pediatria!
Imagine você mãe, que tantas vezes sofreu por ver seu filho ou filha adoecer ou chorar com as malditas cólicas e teve que esperar pela agenda de um pediatra ou num PS pra ser atendida, você não pensava: “Como eu queria ser pediatra e poder identificar o problema do meu filho e sará-lo...”?

Quando seu bebê teve dificuldade nas primeiras mamadas por não conseguir abocanhar direito seu mamilo, tudo o que você queria era ter a fonoaudióloga pra te ajudar a cada mamada e muitas vezes deve ter pensado: “Devia ter me formado em fono assim eu saberia exatamente como fazer...”

Mas talvez o que toda mãe gostaria mesmo era de ser psicóloga, pedagoga, ou melhor ainda, psicopedagoga, afinal, tendo estudado tudo sobre a mente humana, tudo sobre comportamento humano, saberia exatamente como agir e reagir em cada situação vivenciada com seus filhos de maneira que eles se tornariam belos adultos sem traumas emocionais, totalmente felizes e bem resolvidos, certo?

Errado! Totalmente errado! E está errado por uma única razão, quando você se torna mãe tudo o que você se torna é: Mãe.

Não importa qual seja sua formação, deixa de ser ciência, informação, conhecimento ou experiência. Não importa quantos bebês passaram pelo seu consultório, ou quantas crianças se formaram na sua sala de aula, ou quantos pacientes tiveram alta com você. Agora é você e sua criança... e ela é única! Você nunca atendeu uma igual, nunca educou uma igual, nunca analisou uma igual.

E de repente, tudo o que você aprendeu em 6 ou 8 anos de faculdade ou até mesmo seus 20 anos de experiência parecem ter te ensinado tudo, menos a ser Mãe.

E é por isto que toda Pediatra leva seus filhos a outro Pediatra, toda professora matricula o filho numa escola e toda psicopedagoga chora à noite com medo de estar errando na educação de seus filhos.

Mas como Deus é bom, sábio e tem um cuidado especial pelas mães, Ele vai nos capacitando, devagar, a cada experiência, de forma que reconheçamos nossa incapacidade e necessidade de buscar dEele a sabedoria, por isto que quando temos filhos, mesmo que nunca tenhamos nos formado em nada, acabamos nos tornando um pouco de tudo, e de repente nos vemos dando conta do recado.

E então percebemos que quando nos tornamos mães, nos tornamos também conselheira, pediatra, professora, dentista, pastora, fisioterapeuta, fonoaudióloga, desenhista, atriz, enfermeira, psicóloga, decoradora, estilista, cabeleireira...

Mas que a pediatra, a fonoaudióloga, a psicóloga, a professora, a pedagoga... vira simples e totalmente: Mãe.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Quem é especialista na sua Criança?

Postado por Renata Palombo
Escrito por Rosely Sayão
Matéria publicada na Folha de São Paulo, 13 de dezembro de 2011.
Fonte: Google Imagens

Matéria de Rosely Saião:

Pais buscam fora de casa soluções mágicas para os conflitos, mas esquecem que o Google não tem filhos.

"As crianças estão mais agressivas hoje em dia", me afirmou com convicção uma jovem mãe. Ela acabara de ter uma reunião com a coordenadora da escola que a filha frequenta justamente por esse motivo: a menina andava agredindo os colegas de classe com regularidade, tanto física quanto verbalmente. A idade? Cinco anos. Segundo as palavras dessa mãe, ela não sabe como a garota desenvolveu essa estratégia na convivência com os colegas. "Em casa não costumamos ser agressivos uns com os outros e sempre ensinamos as crianças a fazerem o mesmo. E ainda assim ela briga com os irmãos, os primos e os colegas de classe." Ah! E a garotinha também não é uma filha que essa mãe possa chamar de obediente ou educada em relação aos pais e a outros adultos. Essa mãe disse que não sabia o que deveria fazer para ensinar a filha a ser mais obediente e educada. Ela terminou nossa conversa dizendo que iria insistir na estratégia que sempre usara com sua filha: conversar.

Qualquer pessoa que já ouviu pais com atenção sabe que a queixa da indisciplina tem sido bem frequente. Pais com filhos de todas as idades reclamam de desobediência, de falta de limites, de agressividade exagerada da parte dos seus filhos. Para começo de conversa, vamos lembrar da estratégia que a mãe de nosso exemplo de hoje usa para educar a filha para a boa convivência: conversar. Essa tem sido uma solução encontrada por muitos pais, não é verdade? Pois aí temos uma contradição digna de ser refletida: por que, justamente quando a estratégia educativa usada é mais democrática, a agressividade e a desobediência andam tão em alta?

Vamos levantar algumas hipóteses. Conversando o tanto que converso com pais, fui tendo cada vez mais clareza a respeito de como eles se veem no exercício de sua tarefa educativa com os filhos. E constatei uma questão que considero importante: muitos pais, hoje, duvidam de sua própria capacidade de educar os filhos para uma boa convivência. A fala que eu mais costumo ouvir em conversas desse tipo foi dita pela mãe de nosso exemplo de hoje: "Eu não sei o que fazer". E é por causa dessa impotência que muitos pais buscam fora do contexto familiar e da relação com a criança soluções quase mágicas para resolver aquilo que consideram um problema.

Diversos especialistas têm sido convocados a tratar de "crianças agressivas". A internet tem sido muito usada, também, na busca de orientações ou conselhos. Aliás, recebi dias atrás uma mensagem de uma mãe que, nessa pesquisa na internet, encontrou um texto meu. Disse ela: "Gostei de seu texto, mas eu preciso de orientações mais claras sobre como fazer e você não escreveu nada disso". A esses pais, vou repetir duas frases que vi em uma peça promocional feita por e dirigida a mães. A primeira: "Você é a especialista em seu filho". A segunda, uma advertência bem-humorada, eu adorei: "O Google não tem filhos". Ambas sintetizam a ideia de que os pais devem se sentir potentes para buscar e encontrar melhores soluções para dificuldades que enfrentam na educação dos filhos.

Outro fator que não podemos ignorar é o quanto as crianças estão expostas aos meios de comunicação. Programas infantis - dos chamados educativos aos considerados violentos - mostram conflitos de todos os tipos e tratados com agressividade longamente. Já a solução do conflito ganha bem menos tempo, não é verdade? E o que dizer dos programas para adultos aos quais os pequenos assistem? Isso só ensina a criança a refinar o uso de sua agressividade.

Precisamos de mais pais que não duvidem de seu potencial educativo nas situações difíceis e de mais civilidade na convivência adulta, já que esta serve de padrão aos mais novos.

ROSELY SAYÃO é psicóloga e autora de "Como Educar Meu Filho?" (Publifolha)    

Se você gosta dos textos de Rosely Sayão, talvez vá gostar de ler também: "Pai de Adolescente".

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Maria, uma mãe exemplar

Postado e Adaptado por Renata Palombo
Fonte: Google Imagens
Gostaria de ter postado esse texto antes de ontem que foi o dia de Natal, mas com a correria de final de ano não consegui incluir isso no meu tempo.

Como todos sabemos o Natal é a comemoração do nascimento de Jesus e como este é um blog sobre maternagem nada mais "justo" que falarmos sobre Maria, a mãe de Jesus. Ela é muito lembrada nesta época do ano, mas seu exemplo de fé, temor e obediência a Deus, pode ensinar muitas coisas para nós mães, não apenas no natal mas em todos os dias do ano.

Sem dúvida Maria tinha algo de muito especial para ter sido e escolhida por Deus para ser a mãe de Seu Filho - o Salvador do Mundo. A escolha de Maria por Deus é um mistério para nós, mas o que ela fez enquanto mãe nos é revelado em vários trechos da bíblia e totalmente possível de colocarmos em prática nas nossas vidas. A seguir, segue alguns pontos que Maria nos ensinou ao longo de seu exercício de maternagem:

1) Submeter nossa vontade à vontade de Deus. Maria estava noiva de José, provavelmente "correndo" com os preparativos do casamento, cheia de sonhos e expectativas. Então, sem que ela pudesse sequer imaginar ou escolher recebeu a visita de um anjo que lhe anúnciou "Eis que conceberás e darás à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus..." (Lucas 1:31). Deve ter sentido um misto de espanto e temor. Um susto. Uma surpresa. Pode ser que tenha pensado no que José, seu noivo, falaria sobre isso. E a vizinhança? Uma gestação antes do casamento (naquela época) sujaria muito sua honra. E o que faria com os transtornos de uma gravidez não planejada? Mas ela não questionou, não reclamou e nem sequer argumentou com o anjo. Maria, apenas compreendendo, naquele momento que Deus precisava dela, submeteu-se à vontade do Senhor (Lucas 1:38) e cantou um cântico de louvor a Deus "A minha alma engrandece o Senhor, e meu espírito exulta em Deus..." (Lucas 1:46 e 47), manifestando uma obediência com o coração cheio de alegria. Desde aquele momento, todas as gerações passaram a conhecê-la como a mãe do Filho de Deus. Como agimos nós diante de situações inacreditáveis, difíceis e conflituosas? Como se comporta nosso coração? Reclamamos, ficamos deprimidas, agimos com incredulidade? Aqui aprendemos que nossa obediência a Deus não deve ser pesarosa ou obrigatória, mas genuína e feliz.

2) Aceitar os filhos. A 2ª lição tem a ver com aceitação. Deus dotou a mulher com a graça de ser mãe. Acontece que esse privilégio, muitas vezes se torna um enfado. É muito comum ouvirmos mães blasfemando contra Deus e desejando não ter os filhos. Esta aceitação não se refere apenas a aceitar gestações não planejadas, mas também em aceitar os filhos como são. Vemos muitas mulheres que nunca aceitam de fato seus filhos por depositarem neles suas frustrações (não nasceram do sexo que gostariam, não contribuiram para manutenção do casamento, nasceram doentes, nasceram no momento errado, acabou com a juventude, tem defeitos que nunca suportou em outras crinças, etc, etc, etc). Maria não só aceitou sua gestação não planejada e em circunstâncias tão desfavoráveis como também aceitou seu filho como ele era, com todas as dificuldades de seu ministério e com todas as responsabilidades que Ele representava. Hoje os inúmeros métodos contraceptivos tornam a concepção algo bastante controlável, sendo cada vez mais raro as gestações acidentais. Muitas mulheres têm significado seus filhos como "acidentes", sendo que na verdade escolheram não se proteger. Acidental ou relapso dos genitores é preciso entender que filhos são presentes Divino e que a criança deve ser recebida e aceita com amor e alegria.

3) Confiar na Providência Divina. Talvez Maria tenha ficado com muito medo da reação de José, mas Deus providenciou tudo para ela. Um anjo foi enviado a seu noivo, que acreditou em tudo, se casou com ela e recebeu o pequeno menino adotando-o como seu filho (Mateus 1:19-25). Como Deus fez com Maria, faz também conosco. Providencia o que é realmente necessário para nós e para nossos filhos.

4) Ser cuidadosa. Vemos o cuidado que Maria teve para com seu filho, Jesus, desde o início, no estábulo onde nasceu (Lucas 2:6,7); ao ser levado, aos 40 dias de vida, para ser consagrado ao Senhor, no templo (Lucas 2:21-24 e 27); quando o procuraram diligentemente, por ocasião da festa da Páscoa (Lucas 2:39-48); ao ensiná-lo a ser um filho submisso (Lucas 2:51); quando já no ínicio do ministério dele, ela esteve ao lado do filho (João 2:1-12); e também  na cruz (João 19:25). Desde o nascimento até a morte de seu filho, Maria esteve preocupada com ele. Quando uma mãe ama seu filho, não importa o lugar ou condições em que ele nasça,  não importa as dificuldades em educá-lo de acordo com a Palavra de Deus, não importa as dificuldades das fases de idade que ele passe, não importa as escolhas e decisões que esse filho faça, ela sempre irá cuidar dele o melhor que ela puder, sempre vai estar a seu lado para ser amiga, conversar, aconselhar e orar.

5) Respeitar os limites de interferências na vida dos filhos. Maria soube respeitar os limites na relação com Jesus e se colocar no seu lugar diante dos planos de Deus. Um dos exemplos disso aconteceu na festa de casamento em Caná da Galiléia, onde ela colocou-se na condição de discípula, quando Jesus deixou claro para ela que ele só agiria na hora que achasse melhor (João 2:1-4). Maria entendeu que aquilo tratava-se da missão Salvadora do filho e que ali não caberia agir como mãe. Muitas mães não conseguem cortar o "cordão umbilical" e interferem na vida dos filhos impedindo-os de ser independentes, mães que mantém vínculos patológicos com os filhos deixando-os com dificuldades em dar continuidade com a própria vida, mesmo quando são adultos. Desde criança os filhos devem ter sua fase de desenvolvimento respeitada sendo autorizados a fazerem sozinhos o que a maturidade deles lhes permite, contribuindo para a independência e responsabilidade. As mães devem saber criar seus filhos de maneira que eles possam ser responsáveis e levar a diante o plano de Deus para suas vidas.

6) Conhecer o filho. Em Lucas 2:19 e 51 lemos "E sua mãe guardava todas as coisas em seu coração". Maria observava o filho e desta forma ia conhecendo-o. Conhecer nossos filhos é importante para nos relacionarmos com eles de maneira adequada. Uma mulher pode ter 10 filhos, mas terá de se relacionar com eles de forma diferentes, respeitando suas personalidades, gostos e jeito de ser. Só é possível fazer isto conhecendo-os.

7) Um filho que ama e valoriza sua mãe procura honrá-la. Maria foi recompensada por ter sido uma boa mãe. Pouco antes de morrer, na Cruz do Calvário, Jesus olhou para sua mãe e viu nela sofrimento e desamparo, entao providenciou o que ela precisava entrangando-a aos cuidados de sue amoroso discípulo João (João 19:26 e 27). Jesus está sempre providenciando aquilo que necessitamos enquanto mães: paciência, amor, sabedoria, consolo, abrigo, etc. O filho que ama e valoriza sua mãe procura cuidar dela e honrá-la, e isso tem muito a ver com a maneira que foi criado, pois a palavra de Deus nos adverte: "...pois tudo o que o homem semear, isso também ceifará" (Gálatas 6:7).

Bibliografia: Bifano, Gilson e Bifano, Elizabete. Pais e Mães da Bíblia: Erros e Acertos. Ministério Oikos. 2003.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Birras, tragédias e Manual de Instrução...

Postado por Renata Palombo
Escrito por Alyne Afonso

Achei esse texto da Alyne "fuçando" artigos pela internet. Tudo a ver com a mensagem que quero transmitir no meu blog de que somos mães imperfeitas, cheias de erros, mas que buscam e lutam pelo melhor para os filhos. Na mesma hora enviei-lhe um email e ela prontamente autorizou que eu publicasse o texto no meu blog. Ele foi publicado primeiramente no blog dela: http://sermaesemsermao.blogspot.com/2011/12/birras-tragedias-e-manual-de-instrucao.html?spref=fb

"Estava assistindo ao Jornal Hoje, quando me deparei com essa noticia, fiquei meio atordoada, com pena da mãe, sobre tudo. Nesse momento o mundo todo deve estar criticando, mesmo sem entender inteiramente  a situação. Eu também desconheço os motivos, o contexto exato, afinal, telejornais não noticiam o cansaço e stress que as mães vivem diariamente, não dizem se crianças chinesas (a maior parte filhas únicas) são ou não mais propensas a fazer birras, não disseram o que se passava na mente da mãe, e não lhe perguntaram se ela obedecia rigorosamente o que estava escrito no manual de instruções que chegou junto com a filha.

Não tenho a intenção de virar advogada de defesa da pobre mãe, mas não sou eu, a "pior mãe do mundo", que vou julgá-la por deixar a pequena para trás, devo dizer que já fiz coisa pior (talvez não intencionalmente), apenas não fui flagrada por nenhuma câmera, nem exibida em TV's mundo afora.

Uma coisa interessante nisso tudo é que o título da reportagem dizia "Birra de criança quase termina em tragédia na China", isso porque a mãe a deixou, tentando fazê-la entender que a birra não levaria à nada (daí aconteceu o que já sabemos). Mas e se a mãe retornasse? E se desse ouvidos a filha, cedesse a pressão, seguisse o caminho mais fácil, ou se ainda que levando a menina a escola, fizesse um acordo, uma troca? Será que um dia, isso não terminará em tragedia?  Será que a garota não se tornaria mais uma pessoa sem moral, mais uma "Adolescente Rebelde", na melhor das hipóteses...Não é assim que terminam as crianças que não aprenderam a ouvir nãos, ou a seguir regras?

A reportagem também, por ser sobre uma mãe chinesa, me remeteu aos métodos da "Tiger Mom"- Amy Chua - outra mãe extremamente criticada e taxada por pessoas que amam pré-julgar, na certeza de que são absolutamente bem informadas e inegavelmente donas da verdade. Agora pareço ser a advogada da mamãe-tigre? Bem, antes, leia  aqui a carta de sua filha.
"Ele morrerá por falta de instrução, e na grandeza da sua loucura se perderá." - Provérbios 5:23

Então, onde afinal, eu quero chegar com isso tudo? Posso dizer que sou liberalista ou radical? Se sou outra Tiger Mom, ou prefiro deixar minhas princesas escolherem entre almoço ou sorvete? Sigo  o estilo chines ou americano? Não, eu não sou nada disso, nem um nem outro. Sou só uma mãe tentando aprender, tentando se informar, fazer o melhor que pode. Se quiser me dar um título, então sou simplesmente "Fã da Super-Nanny", que defende o equilíbrio como fórmula de sucesso para educação: Amor e Disciplina, os dois, juntos, na mesma proporção, pilares da casa que estamos construindo em cada uma dessas criaturinhas complexas que temos em casa.

Tenho que emendar que minhas pequenas de certa forma já cobram a disciplina (como qualquer outra criança) as vezes de forma sutil (e irritante) tentando chamar nossa atenção. Outras vezes de forma clara (e constrangedora):

-Mamãe você disse que essa palavra é feia!
-Então, não é hora de ir pra cama?
-Ela vai pro cantinho, não é mamãe?

Agora, enquanto escrevo elas estão aqui ao meu lado na sala, assistindo ao DVD "O menino que ouviu Deus" (Crianças Diante do Trono) e cantando felizes: "Quem ama, corrige o seu filho..."

Não há receita melhor, se você ainda não encontrou o manual do seu filho, então aqui estão alguns trechos do livro que eu tenho em casa (mais conhecido como Bíblia Sagrada)

"A estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da correção a afastará dela." -Provérbios 22:15 
 
"Não retires da criança a correção; Pois se a fustigares com a vara, não há de morrer." Provérbios 23:13 
 
"A pobreza e a afronta virão sobre aquele que despreza a correção; Mas o que tem em conta a repreensão, será honrado."- Provérbios 13:18


"Aquele que poupa a vara, aborrece a seu filho; Mas quem o ama, diligentemente o corrige."-Provérbios 13:24 
 
"Porque o Senhor repreende ao que ama, Assim como o pai ao filho no qual se deleita." -Provérbios 3:12
Ps.: A citação de "vara" não significa que minhas filhas apanham, nem de vara  nem de palmadinha!Vara aqui em casa é só cantinho mesmo."


Alyne é mãe em tempo integral de Ana Júlia-5, Renata-3, e Rafaela-1 ano e 5 meses. Dona de casa abençoada, esposa apaixonada, pessima cozinheira, aspirante a escritora.  


Responsável pelo blog: http://sermaesemsermao.blogspot.com 



segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Supernanny afirma que tudo sobre a educação dos filhos está em Provérbios

Postado por Renata Palombo
Fonte: Google Imagens
A educadora Cris Poli, conhecida por orientar famílias no programa de televisão Supernanny, foi a uma das palestrantes no 2º Encontro de Educadores/2010 realizado em Barueri, Cidade da Grande São Paulo.

Segundo a protagonista do reality show do SBT, que já recebeu mais de 30 mil pedidos de ajuda, “as famílias cristãs estão tão perdidas quanto as que não são cristãs”. Na opinião de Cris, os princípios bíblicos – que deveriam balizar a educação – não têm sido colocados em prática mesmo em núcleos familiares cristãos. “A família precisa viver a Palavra de Deus”, destacou.
A educação, de acordo com ela, tem passado por uma fase de equilíbrio entre a rigidez e a permissividade. “Precisamos de regras e rotinas, mas sem esquecer o amor e a flexibilidade”, explicou a orientadora. “Eu me pergunto onde está a Palavra de Deus nessas famílias cristãs em coisas simples, como agradecer por uma comida e orar antes de dormir. É o beabá da educação”, relatou a instrutora que possui mais de 40 companheiras de profissão à frente de programas Supernanny ao redor do mundo.

“Se você quer saber sobre educação de filhos, pode ler o livro de Provérbios que está tudo lá. Cada pensamento de Deus está lá”, expressou. Ter voz de comando, organização, qualidade de tempo com os filhos e cumplicidade entre os pais, foram algumas dicas da superbabá que o pastor Creusi Santos, da 1ª Igreja Batista de Barueri, irá procurar passar para a sua família, que ganhará um novo integrante em breve.

“Eu não concordo muito com a perspectiva da psicologia sobre a educação das crianças. Ela tem uma visão muito legal, porque a Bíblia tem uma visão muito mais equilibrada em termos de educação”,observou.

Prestes a completar cinco anos visitando casas pelo reality, com o contrato renovado por mais um ano com a emissora de Silvio Santos, Cris Poli dedicou a Deus o que considerou como sendo uma reviravolta na sua vida.

“Estou aqui pela graça e misericórdia do Senhor. Até 2005 eu era uma educadora que trabalhava numa escola de educação cristã bilíngue. Deus ‘moveu os pauzinhos’ e me convidaram para trabalhar no SBT”, disse Cris que, em virtude do sucesso do Supernanny, passou a escrever livros e a dar palestras.

Fonte: Guia-me/ com citação Notícias Cristãs

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

O Fio de Cabelo

Escrito por Luiz Schettini Filho
Postado por Renata Palombo
Fonte: Google Imagens

Luiz Schettini escreve sobre adoção. Eu recebi esse texto dele por email e decidi publicar no blog porque fala sobre relações humanas. Não importa se suas relações são maritais, de filiação, trabalistas... sempre haverá "fios de cabelos" que podem ser evitados. Leia e compreenda:

Os seres humanos sempre tropeçam em pedras, nunca em montanhas.
Emilie Cady

"Convivência se processa na trama de pequenas (ou grandes) coisas que, ao longo do tempo, vão tomando contornos e construindo configurações estranhas. Por vezes, complicadas a tal ponto que passam a ser obstáculo à permanência das relações entre as pessoas. Em cada história repetem-se ações e reações semelhantes, embora com tonalidades pessoais. O dia-a-dia da convivência aponta para um sem-número de acontecimentos que, individualmente, são vistos como irrelevantes, quando não, sem qualquer significação e que respondem por desgastes e barreiras à vida em comunidade.

Para usar uma imagem simples – simplória até -, são como fios de cabelo a quem ninguém dá importância maior. Chama-nos a atenção um fenômeno ocorrente na experiência de quase todos nós: pias e lavatórios que, sem mais nem menos, nos surpreendem simplesmente entupidos; de tempos em tempos nos irritamos com a água que, a cada dia, escoa com mais lentidão. Constatamos o inevitável entupimento. Tomadas a providências de praxe, descobrimos o surpreendente: a razão de tão incômodo transtorno é simplesmente um amontoado de fios de cabelo. Jamais um fio de cabelo sozinho provocaria tamanho problema. Nem dois, nem três ou quatro... A questão torna-se evidente: o problema é a conjunção dos finíssimos e ignorados fios que vão tecendo uma teia de intervalos tão pequenos que não mais permitem a passagem da água.

Não estaríamos tão longe da realidade se comparássemos boa parte das dificuldades da convivência com o processo de obstrução das pias que deveriam ser um meio de coletar o que nos é útil e deixar escoar o que não mais nos serve para o uso. No cotidiano das relações é, sem dúvida, o acúmulo de atitudes e ações, aparentemente inofensivas, o responsável pelo entrave da convivência amadurecida e propícia à consecução de projetos comuns das pessoas dos vários grupos a que pertencem: seja na família, no exercício da profissão ou na escola. Que “fios de cabelos” tão incômodos seriam esses? Vale refletir sobre alguns exemplos.

As palavras apressadas da crítica, movida pela raiva ou por uma interpretação errônea ou, ainda, respostas intempestivas a perguntas que nem sequer foram convenientemente compreendidas.

Comentários maldosos que expõem o outro à crítica de seu grupo de convivência.

Suspeição sobre a conduta do outro sem nenhuma intenção de chegar à verdade para estabelecer uma forma de ajuda.

Negação de oportunidade para que o outro tente reformular comportamentos desorganizados e inadequados.

Idéias pré-formadas sobre o comportamento alheio que dificultem ou impeçam a análise e a disponibilidade de deixar o outro se expressar para podermos assumir atitudes de ajuda.

Dificuldade de ouvir o que o outro diz naquilo que ele tem a dizer, sem nos deixarmos contaminar com o que queremos ou preferimos ouvir. Somos seres da palavra, o que nos faz, por conseqüência, seres da audição.

Criar expectativas distantes ou incompatíveis com a realidade do outro, isto é, exigir dele que se comporte em consonância com o que é bom, adequado ou esperado, sem levar em conta suas limitações e seu ritmo pessoal. Não será muito difícil agirmos de uma maneira justa e amorosa com aqueles em quem reconhecemos limitações decorrentes de patologias ou dificuldades genéticas ou congênitas. Difícil para alguns é agir com justiça e amor quando não enxergam as peculiaridades que não têm a cor da doença entendida como disfunção orgânica.

Interpretar como defeito o que faz parte do conjunto de características pessoais. Há pessoas lentas na compreensão do que se lhes diz, confusas na expressão de suas idéias ou com baixos limiares de irritabilidade, sem que isso tenha que ser visto como um defeito de personalidade. É verdade, que nem sempre, estamos munidos de paciência para esperar do outro um resultado ao qual já chegamos há muito tempo. A boa convivência, entretanto, pede que busquemos usar os recursos que temos em favor dos que não os têm. Afinal, se quisermos alimentar, ao mesmo tempo e no mesmo local, uma girafa e uma ovelha, não seria justo e eficiente colocar o alimento apenas ao alcance da girafa, com seu gigantesco pescoço. Com certeza, a ovelha morreria de fome. A convivência se deteriora quando disponibilizamos seus nutrientes apenas ao alcance dos mais “ágeis” e “habilidosos”.

O silêncio continuado poderá enfraquecer as relações de convivência, sendo interpretado de forma distorcida e injusta. O “não-dito” dá margem a fantasias por vezes incontroláveis. O recolhimento demasiado para dentro de si contribui para distanciamentos no conviver, em que, ao invés de possibilitar compartilhamentos, poderá romper o tecido do aconchego.

Talvez não possamos evitar todos os “fios de cabelo” que se interpõem nas relações de convivência. Todavia poderemos, com certeza, evitar que formem redes e trançados que inviabilizem sentirmo-nos bem nos grupos a que pertencemos."

Bibliografia: Schettini Filho, Luiz. A coragem de conviver. Editora Vozes

domingo, 11 de setembro de 2011

Aprendendo com Joquebede

Postado e Adaptado por: Renata Palombo
Fonte: Google Imagens
  
      No livro de êxodo capítulo 2:1 a 10 (Bíblia Sagrada), conta a história de Joquebede, uma mãe de muita coragem. Ela fazia parte do povo de Israel e vivia no Egito. O rei do Egito começou a perceber que o povo de Deus estava mais numeroso e forte que o seu povo (Ex. 1:9) e ficou com medo de que no caso de uma guerra os Hebreus se unissem com os inimigos do Rei e batalhassem contra eles (Ex. 1:10) então determinou que as parteiras da época matassem todos os bebês hebreus que nascessem do sexo masculino, dessa forma o povo pararia de crescer e prosperar. As parteiras temeram a Deus e não obedeceram ao Rei, então ele deu uma nova ordem dizendo a todo o povo que todos os filhos que nascessem dos Hebreus deveriam ser jogados no Rio Nilo, mas as meninas poderiam viver.
            Aconteceu que nessa época nasceu o filho de Joquebede, um menino lindo. Com medo de perder o filho, ela conseguiu esconde-lo por três meses e quando viu que não podia mais escondê-lo colocou-o em um cesto de junco e depositou o cesto no rio Nilo. Sua outra filha (Miriã) acompanhou o menino rio abaixo até que ele foi encontrado pela filha do Faraó. Logo a irmã do bebê foi até a princesa e disse que conhecia uma mulher que poderia cuidar da criança pra ela. A princesa mandou chamar a mulher, deu o menino para que ela cuidasse e ainda lhe pagou um salário por isso. Quando o menino cresceu, a filha do Faraó o adotou como filho e colocou-lhe o nome de Moisés, que significa “retirado das águas”.
            Como mães, podemos aprender muitas lições com as escolhas e atitudes de Joquebede.
            A primeira lição que podemos aprender é que mães precisam ter atitude e criatividade. Joquebede não ficou sentada lamentando a situação, esperando uma solução vinda de fora. Ela sofria com a possibilidade de perder o filho e fez tudo o que estava ao seu alcance para salvar a vida do bebê. Certamente a medida que o menino crescia e seu choro ficava mais vigoroso ela tinha mais medo de ter o filho descoberto pelos egípcios e morto. Ela deve ter pensado em muitas coisas, mas viu no Rio Nilo uma possível saída para sua situação. Apesar de saber que o rio era repleto de crocodilos, ela sabia também que havia muitas mulheres às suas margens para banhar-se, pegar água, lavar roupas... Inclusive a princesa do Egito! Ela então teve a criatividade e a atitude de preparar uma cesta de junco (para despistar os crocodilos) e vedar com betume para evitar entrar água. Era uma situação emergencial e alguma coisa precisava ser feita.  Qual tem sido a nossa atitude diante das dificuldades que temos enfrentado com nossos filhos? Fingimos que não “é com a gente” ou buscamos ajuda e alternativas para resolver os problemas? Ficamos desesperadas, sem ação, lamentando, ou nos enchemos de coragem, nos armando com o escudo da fé e enfrentamos os problemas, sabendo que Deus está no controle da situação?
            Esta é a segunda lição que podemos aprender com Joquebede: Ter Fé em Deus. Acreditar que Deus é um Deus de Milagres. Para fazer o que fez Joquebede precisava acreditar num milagre vindo dos céus, pois só pela interferência Divina o menino poderia se salvar. E o milagre veio completo, como Deus é maravilhoso! O menino foi achado nada mais nada menos do que pela filha do Faraó, ela viu graça na criança mesmo percebendo que era do povo hebreu, Miriã (irmã mais velha de Moisés) viu a princesa pegando o bebê, a princesa aceitou a sugestão de Miriã e a criança voltou exatamente para o seio de sua família. Agora já não precisavam mais se preocupar porque a criança estava sobre a proteção da princesa do Egito e a família ainda receberia um salário para cuidar da criança. Quando vivemos pela fé, Ele nos dá muito mais do que sonhamos. Será que essa sucessão perfeita de acontecimentos foi apenas uma ironia do destino? Com certeza não! Quando entregamos nossas vidas nas mãos de Deus, Sua vontade é, muito maior que simplesmente “ironias do destino”. Quando pensamos na nossa vida hoje, vemos que cada dia é um grande milagre de Deus. Nossos filhos não estão boiando em um rio cheio de crocodilos, mas estão em um mundo cheio de violência, doenças, perigos e más influencias. Hoje nos vemos cercados de “crocodilos” modernos, mas as Mãos de Deus operam milagres diários em nossas vidas protegendo a nós e a nossos filhos, assim como fez com Moisés.
            A terceira lição é sobre Coragem. Uma mãe precisa ter coragem de confiar no Poder Deus. Acreditar que Deus é um Deus de milagres pode até ser fácil, mas colocar as nossas vidas nas Mãos dele contrariando tudo o que nos parece sensato, exige coragem. Ao colocar seu filho nas perigosas águas do Nilo, ela provou que tinha muita coragem e confiança de que Deus estaria cuidando dele. Possivelmente Joquebede questionou porque as coisas tinham que ser daquele jeito, porque o Faraó tinha dado a ordem de matar todos os meninos, mas mesmo com estes questionamentos ela acreditou que Deus estava no comando. Na nossa vida hoje também é assim, embora nem sempre entendamos as conseqüências das atitudes dos homens, Deus é sempre soberano e tudo conduz. Será que confiamos que Deus está cuidando de cada filho nosso? Que a vida dos nossos filhos depende mais das providências Divinas que das nossas? É claro que temos o dever de proteger e cuidar de nossos filhos, mas a vida deles está nas mãos protetoras e amorosas de Deus.
            A quarta lição que Joquebede nos ensina é a importância da Cumplicidade Familiar. Quando temos uma dificuldade com os filhos, todos os membros devem participar ativamente. Devem saber sobre o que está acontecendo e cada um fazer a sua parte na resolução do problema. Por três meses Moisés ficou escondido em casa, os irmãos mais velhos (Arão e Miriã) precisaram ser orientados devidamente e souberam guardar o segredo sobre a existência do irmão. Para tarefa tão difícil, precisou contar com a ajuda de todos. Ser cúmplice significa apoiar o outro em suas decisões. Tantos os filhos de Joquebede quanto seu marido podiam ter tentado impedi-la de cometer a “loucura” de colocar o filho no rio, mas eles a apoiaram e confiaram que ela estava sendo guiada por Deus. Miriã, também foi de grande apoio e cumplicidade quando decidiu seguir o irmão e depois em ir falar com a filha do Faraó, ela se sentiu co-responsável pela situação e fez a parte dela para resolver o problema da família. Infelizmente hoje vemos muitas mães sobrecarregadas com todas atribuições, dentre elas resolver os problemas dos filhos sozinhas. Umas agem assim por serem centralizadoras e crerem que somente elas são capazes de resolver as situações adversas, outras porque a própria família (marido e filhos) não querem se comprometer. Mas a experiência de Joquebede nos ensina que se É UM PROBLEMA DE FAMÍLIA, DEVE SER RESOLVIDO ATRAVÉS DA FAMÍLIA.
            A quinta lição se refere a responsabilidade das mães em estimular a Autonomia dos Filhos. A mãe entregou a Miriã a tarefa de vigiar o irmão e confiou que ela era capaz. Provavelmente tenha ficado muito orgulhosa do que a filha fez: tomar atitude de falar com a princesa oferecendo a sua família para cuidar do pequeno bebê. Muitas vezes estamos impedindo nossos filhos de crescerem por não permitir que façam aquilo que já são capazes e por não acreditarmos neles. Claro que precisamos levar em consideração a faixa etária e respeitar seus limites.
            A sexta e última lição é sobre criarmos os filhos para o serviço ao Senhor. Moisés ficou pouco tempo sob os cuidados de sua família até ser adotado pela princesa egípcia, porém foi o tempo suficiente para que Joquebede lhe ensinasse sobre o amor e o poder de Deus. Os poucos anos na casa de seus pais foram de extrema importância para receber educação e orientação espiritual. Lá ele conheceu a Deus e aprendeu a amá-lo e respeitá-lo, aprendeu a conhecer Sua vontade e obedecer-lhe; ali aprendeu que Deus é um Deus de milagres. Assim que saiu da casa dos pais Moisés foi educado de acordo com o costume real, em todos os ensinos do Egito. Recebeu a educação de um príncipe, sendo preparado para se tornar o Rei do Egito. Ainda assim, Moisés escolheu permanecer nas mãos de Deus e manter-se fiel ao Deus verdadeiro que havia conhecido no seio de sua família se tornando posteriormente o libertador do povo de Deus. Vemos também ao longo da história, que Arão e Miriã também tiveram participação importante na jornada espiritual dos Hebreus, sendo servos do Senhor por toda a vida, o que prova que Joquebede mostrou aos filhos através de seus testemunhos a presença de Deus de maneira tão forte que os filhos “não puderam” desviar-se de Seus caminhos. Temos criado nossos filhos na presença de Deus? Eles estão aprendendo em casa a servir a Deus? Como mães cristãs temos tido o cuidado de dar a educação espiritual necessária para que eles aprendam a temer, amar a Deus e servi-lo? É um privilégio e uma alegria quando podemos ser instrumentos do Senhor para levar nossos filhos ao conhecimento e à fé em Jesus Cristo, ensiná-los a orar diariamente e buscar direção para suas vidas na Palavra de Deus. Deus preserva a vida de nossos filhos para Sua honra e glória.
            Quem dera pudéssemos ver todas as mães e pais tendo como objetivo maior para a vida de seus filhos servir e honrar a Deus.
Bibliografia: Bifano, Gilson e Bifano, Elizabete. Pais e Mães da Bíblia: Erros e Acertos. Ministério Oikos. 2003.
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